11 março 2020

O outro lado da Lua


Imagens do lado oposto da Lua relativamente à Terra, feitas recentemente pela nave robótica americana "Lunar Reconaissance Orbiter" e que mostram o que teriam visto os astronautas da missão tripulada "Apollo 13", em abril de 1970. A missão "Apollo 13" tinha em vista a realização do terceiro pouso tripulado na Lua, mas falhou por causa de uma avaria grave: a explosão de um tanque de oxigénio no segundo dia de viagem. Em vez de pousarem na Lua, os astronautas foram trazidos sãos e salvos de regresso à Terra, depois de terem dado uma volta por trás da Lua. O que eles terão observado durante essa volta são as imagens que aqui podem ser vistas em definição 4K por quem tiver equipamento adequado

A China entrou na corrida espacial algumas décadas depois dos Estados Unidos e da União Soviética, mas entrou muito bem. Como se costuma dizer, «entrou em beleza». Graças à China, foi pela primeira vez possível fazer pousar uma sonda espacial no lado escondido da Lua, isto é, no lado da Lua que nunca se consegue ver da Terra.

Como satélite natural da Terra que é, a Lua orbita em redor do nosso planeta (tem um movimento de translação) e ao mesmo tempo gira sobre si mesma (tem um movimento de rotação). Os seus movimentos de rotação e de translação estão sincronizados um pelo outro de uma forma tal, que a Lua mostra sempre a mesma face virada para a Terra. É a face que vemos nas noites de lua cheia. É sempre a mesma. A sua face contrária nunca é visível do nosso planeta azul.

Em 3 de janeiro de 2019, a China fez pousar uma sonda espacial no lado oposto da Lua, sonda esta chamada "Chang'E-4". Chang'E é o nome da deusa da Lua na mitologia chinesa. Esta sonda trazia a bordo um rover destinado a percorrer a superfície lunar e a recolher dados científicos, chamado "Yutu-2". Ainda segundo a mitologia chinesa, Yutu é o nome do coelhinho de estimação da deusa Chang'E.

A bordo do rover "Yutu-2" encontra-se um radar de penetração do solo, a fim de determinar a composição do subsolo lunar no local de pouso da sonda. Uma equipa de cientistas chineses e italianos tornou públicos no dia 26 de fevereiro de 2020 os resultados das observações do radar, os quais podem ser acedidos online através do endereço https://advances.sciencemag.org/content/6/9/eaay6898. Os resultados mostram que naquele local a Lua apresenta uma camada de mais de 40 metros de altura de materiais soltos, como pedras, areias e poeiras, que constituem o chamado regolito e que são o resultado do choque de meteoritos contra a superfície lunar ao longo de milhões e milhões de anos.

Em face do êxito registado pela tecnologia chinesa, a Agência Espacial Norte-Americana, NASA, revelou no dia 1 de março de 2020 um novo vídeo, em altíssima definição 4K, feito a partir de imagens feitas pela sonda norte-americana "Lunar Reconaissance Orbiter", que orbita em torno da Lua desde 2009 a uma altitude de 50 km. Inveja dos americanos pelo êxito dos chineses? Seja inveja ou não seja, a verdade é que o vídeo americano merece ser visto e revisto. Mostra-nos o outro lado da Lua com uma nitidez como nunca tínhamos podido ver antes.

Comentários: 2

Blogger Rogério G.V. Pereira escreveu...

Nada conheço da China… mas aquele povo
faz nascer a esperança no Homem novo

11 março, 2020 10:37  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Não sendo eu propriamente um apoiante do regime vigente na China, que acho demasiado autoritário, tenho que reconhecer que o comportamento daquele povo durante a crise do coronavírus COVID-19 foi exemplar. Os chineses deram de si uma imagem de civismo e humanidade notáveis.

17 março, 2020 02:08  

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