29 abril 2026

Mestre da Lourinhã


Sant'Iago e Hermógenes, c. 1520–25, óleo sobre madeira do Mestre da Lourinhã (séc. XVI), Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
(Clicar na imagem para ampliá-la)

Cristo Envia S. João e Sant'Iago em Missão Apostólica, 1520-30, óleo sobre madeira do Mestre da Lourinhã (séc. XVI), Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
(Clicar na imagem para ampliá-la)

Não há muito que se possa dizer sobre um pintor do qual nem sequer se conhece o nome. Chamam-lhe Mestre da Lourinhã, porque duas pinturas da sua autoria estão na Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã. De resto, tudo o que se possa dizer sobre ele não passa de suposições, apenas deduzidas das obras, aliás verdadeiramente notáveis, que dele se conhecem.

A pintura do Mestre da Lourinhã remete-nos para a época do Renascimento, concretamente para a primeira metade do séc. XVI. São claramente visíveis as influências flamengas na sua obra, o que não significa necessariamente que ele fosse flamengo, mas até poderia ter sido. Houve vários pintores flamengos ou de ascendência flamenga que naquela época viveram e trabalharam em Portugal, como foi o caso de Francisco Henriques ou de Frei Carlos, e o Mestre da Lourinhã também poderia ter sido um deles.

Mas também poderia ter sido português, porque houve diversos pintores portugueses que exprimiram igualmente influências flamengas, em consequência de terem passado, por exemplo, pela oficina de Francisco Henriques. Foi o que sucedeu com Grão Vasco, Gregório Lopes, Jorge Afonso e outros. Conclusão: nada se sabe ao certo sobre o chamado Mestre da Lourinhã. As suas obras falam por si.

25 abril 2026

25 de Abril

Um cravo vermelho
cristal de vida no céu de chumbo
cada dia um mundo limpo e perfumado
graças a ti flor da minha idade.
Caminho da esperança às portas da cidade
todo o mel e todos os frutos ali à mão.
Graças a ti cravo vermelho que venceste a solidão
veio o tempo ao nosso encontro
e a manhã despertou agitando as árvores.
E a noite se fez de estrelas
que desceram aos cantos do jardim.
Um cravo vermelho e quente
mais que tudo amando a vida
em qualquer língua entendida.
O mundo tinha o sabor de uma maçã
e os olhos inacabados eram cravos vermelhos.
Não havia cárceres nem torturas
apenas o calor de uma fogueira
na praça do entusiasmo
e uma jovem mulher
dormindo um sono de criança
nos telhados da revolução.
O seu rosto era uma nuvem
dourada pelo sol e pela lua
os cabelos trigueiros uma seara
e nos lábios
a canção de Abril que encheu a rua.
Hoje…
Hoje não sei se é dor se alegria
o que sonho
quando abro ao sol as portas de Abril.
Não sei se é dor
tristeza ou alegria
aquilo que sinto neste dia
em que Abril faz tantos anos
de saudade e nostalgia.
Anos de luminoso tremor
corações ao alto
quadros verdes de sonho e raiva
de sol e chuva em celeste azul
luzindo nos olhos de uma gaivota
branca gaivota de penas mansas
voando solitária dentro de mim
à volta de um cravo vermelho
que me ficou dentro do peito.
Abro as janelas a medo
neste areal de céu escuro
contra o mundo
a idade e o cansaço
e não sei se é vida ou amargura
a estreiteza deste espaço.
Sei que um rio de negras águas
cavalga as margens do meu ser
por entre as fendas da secura
ameaçando afogar a democracia
às mãos de nova ditadura.

Adão Cruz, médico, pintor e poeta


(Foto: House Plant Central)

23 abril 2026

Antílopes macho e fêmea


Antílopes macho e fêmea, séc. XIX–XX, esculturas de madeira, feitas por um ou dois artistas anónimos do povo Bamana, da região de Ségou, no sul do Mali. The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Estados Unidos da América
(Clicar na imagem para ampliá-la)

Estas duas esculturas, que têm uma forma muito estilizada de antílopes macho e fêmea, estão incompletas. Elas destinavam-se a ser aplicadas a elmos ou capacetes (desaparecidos), que se colocavam na cabeça para que as esculturas fossem exibidas em jeito de cristas.

Estas esculturas evocam a figura de um herói mítico do povo Bamana, do sul do Mali, herói este que é chamado Ci Wara e é representado como meio homem e meio antílope. Segundo reza a tradição Bamana, terá sido este herói que revelou à Humanidade os segredos da terra, dos animais e das plantas, e ensinou a agricultura.

17 abril 2026

With God on our side


Oh, my name, it ain't nothin'
My age, it means less
The country I come from
Is called the Midwest
I's taught and brought up there
The laws to abide
And that the land that I live in
Has God on its side

Oh, the history books tell it
They tell it so well
The cavalries charged
The Indians fell
The cavalries charged
The Indians died
Ah, the country was young
With God on its side

The Spanish-American
War had its day
And the Civil War too
Was soon laid away
And the names of the heroes
I's made to memorize
With guns in their hands
And God on their side

The First World War boys
It came and it went
The reason for fightin'
I never did get
But I learned to accept it
Accept it with pride
For you don't count the dead
When God's on your side

The Second World War
Came to an end
We forgave the Germans
And then we were friends
Though they murdered six million
In the ovens they fried
The Germans now too
Have God on their side

I've learned to hate the Russians
All through my whole life
If another war comes
It's them we must fight
To hate them and fear them
To run and to hide
And accept it all bravely
With God on my side

But now we got weapons
Of chemical dust
If fire them we're forced to
Then fire them we must
One push of the button
And a shot the world wide
And ya never ask questions
When God's on your side

Through many dark hour
I been thinking about this
That Jesus Christ
Was betrayed by a kiss
But I can't think for ya
You'll have to decide
Whether Judas Iscariot
Had God on his side

So now as I'm leavin'
I'm weary as Hell
The confusion I'm feelin'
Ain't no tongue can tell
The words fill my head
And they fall to the floor
That if God's on our side
He'll stop the next war
Bob Dylan


With God On Our Side, de Bob Dylan, por Joan Baez

14 abril 2026

Tomámos a vila depois dum intenso bombardeamento

A criança loura
Jaz no meio da rua,
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.

A cara está um feixe
De sangue e de nada.
Luz um pequeno peixe
— Dos que bóiam nas banheiras —
À beira da estrada.

Cai sobre a estrada o escuro.
Longe, ainda uma luz doura
A criação do futuro…

E o da criança loura?

Fernando Pessoa (1888–1935)


Pequena criança morta na Faixa de Gaza, Palestina (Foto: Euro-Med Human Rights Monitor)

12 abril 2026

My One And Only Love


My One And Only Love, uma canção com música de Guy Wood e letra de Robert Mellin, que acabou por fazer parte do repertório clássico do jazz, numa interpretação (apenas música) de Chick Corea no piano, Miroslav Vitous no contrabaixo e Roy Haines na bateria. Gravado em 1968

07 abril 2026

Os mosquitos, essas insaciáveis feras


Self-service, um filme de desenhos animados de Bruno Bozzetto

05 abril 2026

O quam gloriosum


O quam gloriosum, moteto a quatro vozes do compositor espanhol Tomás Luis de Victoria (c.1548–1611), por The Monteverdi Choir, dirigido por Sir John Eliot Gardiner

03 abril 2026

Cristo morto sustentado por um anjo


Cristo morto sustentado por um anjo, 1475–1476, técnica mista sobre madeira de Antonello da Messina (1430–1479), Museu do Prado, Madrid, Espanha

01 abril 2026

Bailado Pinguins


Pinguins, um bailado com coreografia de Victor Hugo Pontes, sobre um excerto da fantasia musical Carnaval para orquestra de câmara, de Pedro Faria Gomes, inspirada na obra O Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saëns, pela Companhia Nacional de Bailado e a Orquestra Sinfónica Portuguesa dirigida por Cesário Costa