29 janeiro 2014

Pete Seeger, forever young


Forever Young, de Bob Dylan, por Pete Seeger

28 janeiro 2014

Mafra e os seus ratos

O convento de Mafra (Foto: Henrique Ruas)

Sempre que vou a Mafra, sinto um arrepio percorrer-me as costas. Este arrepio é um resquício, que nunca consegui eliminar completamente, do tempo em que comecei a cumprir o serviço militar obrigatório. Frequentei durante seis meses o Curso de Oficiais Milicianos na Escola Prática de Infantaria, instalada nas traseiras do gigantesco convento. Não consigo, por isso, gostar de tão monstruoso e pesadão edifício, fruto da megalomania de um rei pelo qual também não sinto qualquer simpatia: D. João V.

Todo o convento de Mafra foi construído para nos fazer sentir, a nós comuns mortais, o peso esmagador da glória do rei, que a exploração desenfreada das riquezas do Brasil possibilitou. Tudo no convento foi feito para nos fazer sentir insignificantes. Tudo nele é desmesurado e desumano. A única coisa de que gosto no convento é a sua espantosa biblioteca; só ela é que me faz voltar a Mafra uma e outra vez. De resto, até a basílica é para mim completamente gelada, mesmo no mais escaldante dia de verão, talvez por causa da sua extraordinária profusão de frios mármores (todos eles portugueses, diga-se em abono do rei), assim como das suas estátuas e imagens, que são igualmente frias e impessoais, apesar de serem valiosíssimas de um ponto de vista estritamente artístico.

Biblioteca do convento de Mafra (Foto: A Guia Turísitca)

Como disse, tudo no convento de Mafra é desmedido. Tudo, até... os ratos! Ou não? Afinal, o que é que há de verdade e o que é que há de mentira nas histórias que se contam a respeito dos ratos do convento de Mafra?

Quando eu estava a cumprir a tropa em Mafra e vinha passar os fins de semana a casa, as pessoas faziam-me frequentemente perguntas acerca dos famosos ratos. «É verdade que os ratos de Mafra são cegos? É verdade que os ratos de Mafra são pelados? É verdade que os ratos de Mafra são grandes como coelhos? É verdade que os ratos de Mafra até os gatos comem?», perguntavam-me. E eu respondia que não sabia de nada disso, porque nunca tinha visto nenhum... As pessoas zangavam-se com a minha resposta e achavam que eu estava a gozar com elas. Algumas, mesmo, sentiam-se profundamente ofendidas! Como era possível que eu nunca tivesse visto um rato em Mafra?! Por quem é que eu as tomava, para lhes mentir tão descaradamente? TODA A GENTE sabia que nos subterrâneos do convento havia ratos aos milhões. Ratos pelados, cegos, carnívoros e tudo!

Pois bem. Não há ratos pelados, cegos e carnívoros em Mafra. Não há. Nem eles são aos milhões. Também não são. Para dizer a verdade, não há em Mafra mais ratos do que em qualquer outra povoação de idênticas dimensões. Não há mesmo! E os que existem não são ratos mutantes; são ratos iguais aos outros ratos. Porque a verdade é esta: no convento de Mafra também não existem os medonhos subterrâneos que muitas pessoas julgam que existem. Não existem! O que existe é uma rede de esgotos, que é extraordinariamente engenhosa segundo dizem os entendidos. É claro que em todos os esgotos vivem ratos e nos do convento também se devem encontrar alguns. Mas não aos milhões! Se duvida do que acabo de afirmar, peço-lhe que visite a seguinte página do portal Monumento de Mafra Virtual, intitulada "Os ratos-gambozinos de Mafra": http://www.cesdies.net/monumento-de-mafra-virtual/os-ratos-gambozinos-de-mafra.

Uma galeria da rede de esgotos do convento de Mafra. Onde estão os ratos? (Foto: Manuel J. Gandra)

Pode ir a Mafra à vontade, passear pela vila e visitar as dependências do convento que estão abertas ao público, nomeadamente a basílica e o palácio real. Pode maravilhar-se com a magnífica biblioteca, onde milhares e milhares de preciosíssimos livros se mantêm intactos há mais de duzentos anos, sem que algum rato tenha alguma vez feito estragos neles. Os únicos habitantes habituais da biblioteca do convento de Mafra, aliás, não são ratos; são morcegos, que comem os bichos que poderiam destruir os livros que na biblioteca se guardam.

Na biblioteca do convento de Mafra há milhares e milhares de livros em que nunca rato algum tocou (Foto de autor desconhecido)

Se for a Mafra e se fartar da presença esmagadora e totalitária do convento, vire-lhe a costas e percorra a comprida rua que se encontra mesmo em frente à basílica e à sua escadaria. Ao fundo dessa rua encontrará um outro monumento de Mafra: a igreja de Santo André. Ao contrário do convento, esta igreja não tem nada de extraordinário. É um templo bastante rústico, até, de estilo gótico, embora ainda apresente alguns vestígios do românico. É uma igreja simples e bonita e é uma das igrejas mais antigas de toda a região saloia. Em toda esta região, talvez só a igreja de Santa Maria, em Sintra, que foi mandada construir pelo rei D. Afonso Henriques, é que é mais antiga.

Há ainda a referir que há quem diga, mas parece que não há provas que confirmem esta afirmação, que entre os párocos de Santo André de Mafra se contou Pedro Julião, que também foi chamado Pedro Hispano e que veio a ser o único papa português, o papa João XXI.

Capitéis do portal principal da igreja de Santo André, em Mafra (Foto: IGESPAR)

Eu comecei por escrever que, sempre que vou a Mafra, sinto um arrepio percorrer-me as costas. Isto acontece-me porque o tempo de tropa que passei em Mafra foi bastante traumatizante, em consequência dos mortos e dos feridos que houve entre os meus camaradas de companhia, fruto da brutalidade da instrução militar que nos foi ministrada na Escola Prática de Infantaria. Durante a instrução do primeiro ciclo do Curso de Oficiais Milicianos, houve entre os soldados-cadetes da minha incorporação quatro mortos, por afogamento, e ainda dois feridos, também da minha companhia de instrução, num outro incidente, um dos quais ficou cego de um olho.

Estes casos passaram-se em junho de 1971 e nunca vieram a público, porque a censura não permitiu. Só o Avante!, jornal clandestino do clandestino Partido Comunista Português é que deu a notícia do afogamento e da subsequente reação dos soldados-cadetes, eu incluído. Independentemente do tom militante e combativo em que a notícia do Avante! foi escrita, ela é rigorosamente verdadeira. Eu confirmo tudo. Estive lá e vivi os acontecimentos relatados.

Recorte do jornal Avante!, nº 431, de julho de 1971 (Foto: A. Marques Lopes)

24 janeiro 2014

«Desde que vi um crocodilo a andar de motorizada, já acredito em tudo»

Quibala, província do Kwanza-Sul, Angola (Foto de autor desconhecido recebida por e-mail)

20 janeiro 2014

Morreu um grande maestro



Abertura Egmont, op. 84, de Ludwig van Beethoven, pela Orquestra Mozart dirigida pelo maestro Claudio Abbado (1933-2014)

A abertura Egmont, de Beethoven, que o maestro italiano Claudio Abbado, agora falecido, dirige aqui de forma incomparável, é a abertura de um conjunto de composições musicais que Beethoven escreveu para servir de acompanhamento à representação de uma peça teatral de Johann Wolfgang von Goethe, chamada, ela também, Egmont.

O herói da peça de Goethe e, portanto, desta abertura de Beethoven é um nobre holandês do séc. XVI, chamado Lamoral, conde de Egmont ou Egmond. Nessa época, a Holanda e a Flandres estavam sob o domínio espanhol de Filipe II (Filipe I de Portugal). O conde de Egmont, embora fosse católico, opôs-se à introdução da Inquisição nos Países Baixos e procurou convencer o rei de Espanha a alterar a sua política opressiva em relação a estes territórios. O rei não mudou de política e Egmont acabou por ser preso pelo duque de Alba e decapitado na Grand Place, em Bruxelas, no dia 5 de junho de 1568. A sua morte desencadeou uma revolta generalizada, que acabou por conduzir à libertação da Holanda do domínio espanhol, revolta na qual Guilherme de Orange desempenhou um papel de primeiro plano.

Ludwig van Beethoven era alemão mas, como o seu nome sugere, tinha ascendência holandesa. Não admira, portanto, que tenha composto esta obra. A abertura começa por nos dar a ouvir o clima opressivo que se vivia na Holanda sob o domínio espanhol. A partir dos dois minutos e vinte e oito segundos deste vídeo, começamos a ouvir o avanço imparável da Holanda a caminho da libertação. Aos sete minutos e trinta e cinco segundos, ouve-se a decapitação de Egmont às mãos dos espanhóis, mas a partir dos sete minutos e cinquenta e dois segundos a luta contra a tirania recomeça e a abertura termina com a apoteose da libertação.

Mais do que a exaltação de um herói nacional holandês, a abertura Egmont, de Beethoven, é um incitamento à resistência contra a opressão, qualquer que ela seja, e um hino à liberdade. Foi assim que Beethoven quis que ela fosse e é assim que ela tem sido entendida ao longo dos tempos. O grande maestro Claudio Abbado dá-no-la a ouvir aqui com uma força incomparável. Este maestro foi sem dúvida um extraordinário intérprete de Beethoven. Resta dizer que a orquestra que ele dirige nesta gravação, a Orquestra Mozart, foi fundada por ele mesmo.

15 janeiro 2014

Perfilados de medo

Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...

Alexandre O'Neill (1924-1986)



Perfilados de Medo, por José Mário Branco
 (aos 6 minutos e 15 segundos, ouvem-se as notas iniciais de Mãe Pobre, canção composta por Fernando Lopes-Graça, com base num poema de Carlos de Oliveira)

11 janeiro 2014

A lenda da Fonte da Moura

A desaparecida Fonte da Moura ficava próxima do cruzamento entre a Av. da Boavista e a Av. Dr. Antunes Guimarães,  na cidade do Porto


Há muito, muito tempo. Numa época em que mouros e cristãos povoavam, conjuntamente, as cercanias do Porto...

As gentes do lugar olhavam num misto de incredulidade, mas também de impotência e de infelicidade, para a antiquíssima fonte. Do interior da fenda rochosa, estreita e inacessível, da qual desde sempre brotara a água que saciava a comunidade, não corria agora nenhum líquido. A fonte secara!

O fenómeno, no entanto, não surpreendeu muitas das pessoas que sabiam, há já muito tempo, do segredo guardado nas entranhas desta fonte. No seu interior enclausurara-se há já alguns anos, e por vontade própria, uma bela jovem moura. Como havia conseguido penetrar no interior daquela mina de água — coisa que jamais alguém conseguira concretizar, dadas as estreitas e reduzidas dimensões da fenda — era um segredo que ninguém conhecia. Como que a mãe natureza, num gesto de cumplicidade, permitira excecionalmente e por uma única vez, que um ser humano se conseguisse infiltrar no âmago da fonte e aí se esconder. Esconder, sim. Já que a jovem e bela moura encontrara aí o refúgio e a segurança que o mundo exterior não lhe proporcionava.

Recuemos pois mais alguns anos para perceber o que levou a jovem a esta clausura.

Não obstante ser um tempo em que mouros e cristãos partilhavam o mesmo território, ditavam ainda os usos e costumes e a fé de uns e de outros que não se deveriam misturar para lá das conveniências estritamente necessárias. E por isso a paixão e o casamento entre elementos das duas comunidades era algo tradicionalmente inaceitável.

Aconteceu porém, porque de facto o coração tem razões que a razão desconhece, que uma jovem e bela moura se enamorou por um garboso e jovem cristão. Tinham cruzado o seu olhar pela primeira vez junto daquela fonte e de imediato se apaixonaram mutuamente.

Os dias foram passando e os amantes esconderam a sua paixão das restantes pessoas, juntando-se às escondidas em rápidos e clandestinos encontros. Porém os seus amores proibidos foram descobertos pelo desconfiado pai da jovem que, de imediato, a fechou em casa e repreendeu-a ferozmente, recorrendo mesmo à violência, a proibiu de voltar a avistar o seu amado, ameaçando mesmo que se o voltasse a ver pelas redondezas o mataria.

Mas porque, com o passar dos dias, os castigos e as ameaças prosseguiam, virando-se a ira do pai também para a sua mãe e irmãs, a jovem começou a congeminar um plano de fuga. Sabendo que não tinha meios que lhe permitissem escapar para algum sítio longínquo, mas também porque tinha a esperança de que o seu amado a procurasse, decidiu esconder-se no interior da fonte. Era perto de casa e permitiria um esconderijo perfeito. Água não lhe faltaria e sabia também que, quando vislumbrasse algum conhecido e amigo, lhe poderia pedir de comer. O mais difícil seria conseguir esgueirar-se para o interior da mina, mas confiava na sua silhueta grácil e ágil para o conseguir.

Definido o plano, que não partilhou com ninguém, esperou pacientemente por uma breve desatenção do seu pai que lhe permitisse a almejada fuga. Coisa que, efetivamente, aconteceria pouco tempo depois. O objetivo estava bem definido e por isso não hesitou um único segundo.

Rapidamente se escapuliu para fora de casa e, certificando-se de que ninguém a via, correu o mais rápido que pôde até à fonte e, como que miraculosamente, conseguiu entrar para o seu interior.

Nos muitos dias seguintes em vão a procuraram. Pai, familiares, vizinhos, amigos e, secretamente, sem que ninguém o identificasse, o jovem cristão apaixonado. Escondida no interior da mina de água a moura não deu sinal de vida. Tal como havia previsto a água não lhe faltava e, quando a fome a invadiu de um modo insuportável, acabou por fazer chegar a sua voz, das profundezas da fonte, aos ouvidos de duas ou três pessoas amigas a quem lhes pediu comida e a quem fez jurar que jamais revelariam o seu segredo e refúgio.

Os dias e semanas foram passando e, persuadidos de que a jovem escapara para bem longe, familiares e conhecidos deixaram de a procurar. E o mesmo aconteceu com o seu apaixonado que, desesperado mas sem nunca se revelar, durante longas jornadas calcorreou o território à volta da casa da sua amada. Sem nunca, no entanto, se abeirar da fonte, convencido que estava de que aí ninguém se poderia esconder.

Entretanto, e apesar das inegáveis provas de amizade por parte das pessoas que a iam alimentando e que nunca a denunciaram, a moura nunca lhes revelou o nome e paradeiro do seu amado. Por muito que insistissem e lhe afiançassem que, com toda a segurança e secretismo, o avisariam do local onde ela se enclausurara para que a viesse resgatar, a verdade é que a jovem nunca pronunciou o seu nome nem deu a mínima indicação sobre a sua morada. Tendo sempre muito presentes as ameaças do pai, e temendo pela vida do jovem cristão, optou conscientemente por esconder a identidade do seu amante. No fundo e secretamente tinha a esperança de que mais tarde ou mais cedo ele acabaria por passar junto da fonte e, só então e só a ele, revelaria o seu esconderijo.

Mas ele nunca apareceu…

Os dias deram lugar às semanas, as semanas aos meses, e estes a alguns anos. Mas quando insistiam com a moura para que saísse do interior da fonte ou identificasse quem era o seu amado, a jovem afirmava que ali preferia morrer a revelar o seu segredo. Morreria de amor, se assim fosse necessário…

E foi isso que aconteceu. Decorridos alguns anos, desgostosa a jovem começou a definhar. Já raramente falava com quem lhe levava comida e só muito raramente a vinha procurar à boca da fonte.

Entretanto, e numa mágica sintonia com a dor da moura, também a fonte começou paulatinamente a disponibilizar cada vez menos água. Quanto mais a jovem atrofiava mais o líquido ia escasseando.

E chegou o dia em que a fonte se apresentou totalmente seca. Fenómeno que, no entanto, não surpreendeu as pessoas que sabiam do segredo guardado nas entranhas da fonte. E que, tristes, perceberam também o que acabara de se consumar: a jovem moura morrera de desgosto.

E foi então que ouvidos mais atentos escutaram um gotejar vindo das recônditas profundezas da galeria. Gotas que jamais correriam para a fonte, mas que continuariam a brotar por toda a eternidade… Eram as lágrimas de infelicidade da bela moura, morta por amor no interior da fonte.

Joel Cleto, in "O segredo da Fonte da Moura", O Tripeiro, 7ª Série, Ano XXXII, Número 12, dezembro de 2013

04 janeiro 2014

Aves inteligentes


Duas cacatuas (Foto: Universidade de Oxford)

Há aves que manifestam uma inteligência que nos deixa abismados. É o caso das gralhas, pegas e outros corvídeos, para dar um exemplo; é o caso dos papagaios, araras e outros psitacídeos, para dar outro exemplo.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, da Universidade de Oxford e do Instituto Max Planck procurou testar as capacidades de aprendizagem, planeamento e de resolução de problemas por parte de um conjunto de 10 cacatuas (Cacatua goffini) originárias da Indonésia. O que esteve na origem desta experiência foi a observação, anteriormente feita por Alice Auersperg, bióloga da Universidade de Viena e membro da equipa, da forma como uma cacatua tinha espontaneamente utilizado como ferramentas um conjunto de 10 lascas e paus, que a cacatua dobrou e encurtou antes de utilizar, a fim de conseguir apanhar uma pequena pedra que tinha deixado cair através de um buraco numa rede.

A equipa de cientistas concebeu então uma caixa contendo nozes de caju visíveis a partir do exterior, mas fechadas por um conjunto de mecanismos interligados. Os mecanismos só permitiam o acesso ao caju se fossem abertos numa determinada sequência: tirar uma cavilha, desapertar um parafuso, remover um pino, girar uma roda em 90 graus e deslizar um trinco.

(Foto: Universidade de Oxford)

A ave que se vê na imagem seguinte conseguiu resolver todos os problemas na sequência correta, em apenas 100 minutos, sem a assistência de ninguém e sem qualquer recompensa intermédia!

(Imagem: American Scientist)

As outras cacatuas só conseguiram aceder ao caju depois de terem tido ajuda, isto é, depois de lhes ser mostrada a sequência de ações que deveriam executar ou depois de observarem as ações executadas por uma outra cacatua que já soubesse abrir a caixa.

A seguir, os cientistas removeram alguns dos mecanismos ou alteraram a sua sequência. As cacatuas, então, acionaram os mecanismos da forma correta e não segundo a sequência original, mostrando que tinham aprendido o modo como os mecanismos funcionam e não apenas memorizado a sequência de ações.

O professor Alex Kacelnik, da Universidade de Oxford, que participou no estudo, afirmou: «Nós não podemos provar que as aves compreendem a estrutura física do problema da mesma maneira que um ser humano, mas podemos deduzir do seu comportamento que elas são sensíveis à forma como os objetos agem uns sobre os outros e que podem aprender a progredir em direção a uma finalidade distante, sem serem recompensadas passo a passo.»



01 janeiro 2014

A paz sem vencedor e sem vencidos


Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Sophia de Mello Breyner Andresen