A Dança da Vida Humana
O pintor Nicolas Poussin foi o fundador da escola francesa do Classicismo, que se caracterizou pela harmonia, pela claridade e pela procura de uma beleza ideal. Esta corrente nasceu como reação à aparente irracionalidade do Maneirismo, que lhe antecedeu, e em oposição aos excessos do Barroco, com o qual coexistiu. Contemporânea da extraordinária obra barroca de Caravaggio e de Rembrandt, por exemplo, a corrente classicista teve em Nicolas Poussin e no italiano Annibale Carracci dois dos seus mais destacados representantes. O quadro A Dança da Vida Humana, de Nicolas Poussin, nomeadamente, tem em si os ingredientes próprios do Classicismo do séc. XVII.
No centro e preenchendo boa parte do quadro, quatro pessoas que dançam em roda chamam a nossa atenção imediata, mas não são elas as figuras mais importantes desta pintura. A figura mais importante é o Tempo, simbolizado pelo velho alado, calvo, de barba branca e tocando um instrumento musical, que se vê à direita. É a música tocada pelo Tempo que faz os humanos dançar.
Bem no centro do quadro, a figura humana mais destacada, das quatro que dançam em roda, é uma mulher que representa a Riqueza, com o seu cabelo ornamentado de pérolas e com sandálias douradas nos pés. À esquerda está outra mulher, que lança um olhar malandro e sedutor para nós. Simboliza o Prazer. De costas, vê-se o único homem da roda, descalço e com uma coroa de louros na cabeça. Representa o Trabalho. À direita está uma terceira mulher, também descalça e com um pano enrolado na cabeça. É a Pobreza, à qual a Riqueza parece ter relutância em dar a mão.
No extremo esquerdo do quadro vê-se uma coluna com duas cabeças esculpidas em sentidos opostos. Uma cabeça olha para o futuro e a outra volta-se para o passado. Sentado no chão ao pé da coluna, um menino faz bolas de sabão, em representação da efemeridade da vida humana. No outro extremo e também sentado no chão aos pés do Tempo, outro menino segura uma ampulheta, lembrando-nos que o tempo escorre sem cessar.
Na parte superior do quadro e pousada sobre uma nuvem, uma outra composição pictórica surge em tons mais ou menos esfumados. De pé sobre um carro puxado por quatro cavalos e envolto por uma circunferência, que representa a eternidade, está Apolo, o deus que determina a sucessão dos dias e das noites. À direita, voando à frente do carro de Apolo, está a Aurora, espalhando flores brancas sobre a terra. Acompanhando o carro de Apolo e no seu rasto, um cortejo de figuras femininas simboliza a sucessão das Horas.
Uma paisagem imaginária e bucólica serve de fundo a todo este conjunto de figuras alegóricas e preenche os espaços vazios da tela.
Em suma, a composição deste quadro apresenta-se-nos de forma harmoniosa e clara, como é timbre do Classicismo.





















