16 fevereiro 2006

Cegarrega

Minha mãe teve dez filhos
todos dez dentro de um pote:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão nove

Desses nove que ficaram
foram amassar biscoito:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão oito.

Desses oito que ficaram
foram pentear o tapete:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão sete.

Desses sete que ficaram
foram esperar os reis:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão seis.

Desses seis que ficaram
foram depenar um pinto:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão cinco.

Desses cinco que ficaram
foram depenar um pato:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão quatro.

Desses quatro que ficaram
foram matar uma rês:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão três.

Desses três que ficaram
foram dar comida aos bois:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão dois.

Desses dois que ficaram
foram matar um peru:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficou senão um.

E esse um que ficou
foi ver amassar o pão:
deu o tranglomanglo nele,
e acabou-se a geração.

(in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)

Comentários: 2

Blogger planaltobie escreveu...

Por meio de tranglomanglos o tempo vai cristalizando, materializando (incluindo ideias, sentimentos, e emoções...)!
A prova é este sedimento bonito, esta boa escolha de temas, a diversidade selecta, o bom português, aspectos que constituem o seu blog. Parabéns!

PCosta

17 fevereiro, 2006 00:23  
Blogger Denudado escreveu...

Caro PCosta, fico muito agradecido pelas suas amáveis palavras. Eu quis fazer um blog diversificado, que reflectisse um pouco alguns dos meus gostos e interesses (outros têm ficado de fora, porque não consigo blogá-los de uma forma minimamente legível e compreensível), mas tenho perdido mais tempo com isto do que esperava.

Receio que tenha que rarear um pouco mais as minhas intervenções, não por falta de assunto, mas por falta de tempo.

Quanto ao meu português, pode ter a certeza de que ele não chega aos calcanhares do seu. Além do gosto que sinto em ler no seu blog as recordações do tempo que viveu em Silva Porto (actual Kuito), pode crer que ainda sinto maior gosto em saborear o seu português e o seu estilo. Juro que tenho inveja da maneira como escreve.

Eu não conheço Silva Porto, mas algumas das pessoas que mais me marcaram durante a minha estadia em Angola eram de lá. A elas devo muito do que sei sobre Angola e sobre as suas gentes. Foi através delas (e de outras também) que aprendi a amar Angola e a África em geral.

Um abraço

17 fevereiro, 2006 23:29  

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