05 maio 2006

Porto antigo


Um desafio que me foi lançado por A. Leitão, no seu blog Fotos do Tempo, levou-me a publicar esta minha fotografia, que mostra casas da Rua do Comércio do Porto, no centro histórico da Invicta.

Comentários: 2

Blogger a.leitão escreveu...

Todas as cidades do mundo teem a sua idade mais ou menos longínqua no tempo
com algumas excepções, como será o caso de Brasília. Podemos sempre encontrar motivos interessantes que nos fazem reviver o passado e as nossas origens. A Cidade do Porto tem vindo ao longo dos anos a "aperfeiçoar" os métodos de recuperação do nosso ideário passado, numa mistura de algum gosto menos interessante. Do mal o menos, o importante é que se faça alguma coisa de forma a recuperar o que está para cair e tenhamos a oportunidade de aí recrear os nossos olhos vislumbrando um mundo mais ou menos distante.
Boa foto do Porto passado mas sempre presente!

05 maio, 2006 18:19  
Blogger Denudado escreveu...

A recuperação da zona histórica do Porto, sobretudo a que se fez na Ribeira e no Barredo, foi um exemplo que o Porto deu ao Mundo. A recuperação dos centros históricos de muitas cidades europeias foi feita depois de ela ter começado no Porto e tomando o Porto como exemplo. Este mérito ninguém pode tirar ao Porto.

Antes do 25 de Abril, a degradação da zona da Ribeira/Barredo era verdadeiramente horripilante. Não há palavras para descrever como aquilo era. Era a miséria mais completa, que inspirou Júlio Resende no seu famoso painel cerâmico "Ribeira Negra" e inspirou, também, Zeca Afonso na sua canção "Bairro Negro". Porque negras eram de facto aquelas ruas esconsas, ressumando humidade, pejadas de lixo, atravessadas por baratas e ratazanas gordas como coelhos, com casas decrépitas onde vivia uma família completa em cada quarto. Envolvendo tudo aquilo respirava-se um fortíssimo cheiro a merda que se nos entranhava na pele. Quem passeia hoje pela Ribeira não consegue fazer a mínima ideia de como aquilo era.

A seguir à Revolução dos Cravos, a população da zona mobilizou-se de uma forma poderosa, exigindo a melhoria das suas condições de vida. Foi então que se iniciou a recuperação, com a participação activa de alguns arquitectos da cidade, entre eles Siza Vieira. Os moradores da zona tiveram sempre a última palavra a dizer, em tumultuosas reuniões efectuadas no salão nobre da Escola de Belas-Artes, por entre o berreiro das crianças ranhosas que as mulheres levavam para as reuniões (porque não tinham onde as deixar) e os múltiplos impropérios proferidos à velha maneira tripeira.

Depois, o processo institucionalizou-se, passou a ser mais tecnocrático (digamos assim) e estendeu-se depois à zona da Sé. A população continuou a ser ouvida, é certo, mas não com o envolvimento que tinha havido antes.

A Rua do Comércio do Porto, que fotografei, não foi envolvida em nenhum destes processos de recuperação. Se as casas setecentistas (ou ainda mais antigas) que se vêem na foto estão com um aspecto bastante apresentável, isso deve-se concerteza aos seus proprietários.

06 maio, 2006 01:15  

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