22 julho 2006

Que sabemos nós do Vietname?

Crianças do Vietname (Foto: tsalviski)

Que sabemos nós do Vietname, a não ser as cenas de guerra vistas em filmes americanos, como o fantasioso "Apocalypse Now" ou o realista "Platoon"? Nada, não é verdade?

E no entanto, como muitos outros países do Oriente, o Vietname ficou para sempre marcado pela presença portuguesa durante os séc. XVI e XVII, quando mercadores portugueses negociavam nos seus portos e cidades, ao mesmo tempo que missionários portugueses (e também espanhóis) percorriam o seu território de norte a sul. Não parece que os padres tenham conseguido converter muitos vietnamitas à fé cristã, mas converteram-nos, a todos, ao uso do alfabeto latino.

Até então, a língua vietnamita era escrita em caracteres chineses. Os missionários desenvolveram uma ortografia latina para a língua, certamente porque sentiam dificuldades em usar a ortografia chinesa. Em consequência, os próprios vietnamitas passaram a utilizar também a ortografia latina em vez da chinesa, como se pode ver, por exemplo, no sítio da rádio Voz do Vietname.

A característica da ortografia vietnamita que mais me salta à vista é a quantidade e variedade de sinais diacríticos que possui. Entre estes, estão acentos bem nossos conhecidos, como o acento circunflexo e o til. Li uma vez não sei onde que o português e o vietnamita são as duas únicas línguas do mundo em que o til é usado para nasalar vogais.

Podem ser vistas imagens do Vietname, dotadas de uma enorme beleza, nesta página da Web que se chama Bonjour Viet Nam.

Comentários: 3

Blogger planaltobie escreveu...

Um bom post, amigo Denudado. Fiquei a saber um pouco mais do Vietname.

22 julho, 2006 00:52  
Blogger a.leitão escreveu...

Só acrescentar que antes dos Américas terem sido corridos do Vietnam já os Franceses o haviam sido também.

24 julho, 2006 12:30  
Blogger Denudado escreveu...

Planaltobie, para vergonha nossa, aquilo que os povos asiáticos sabem de nós, portugueses, é muito mais do que aquilo que nós sabemos deles. Nas escolas, os alunos ouvem falar dos portugueses, do bom e do mau que nos seus países fizeram, da herança (cultural, civilizacional e até genética) que lá deixaram. Para eles, os portugueses não são nenhuns desconhecidos; desconhecidos são os dinamarqueses, os búlgaros ou até os alemães, não os portugueses. Qualquer aluno de Sri Lanka, Tailândia, Malásia ou Taiwan (a que os portugueses chamaram Formosa) sabe localizar Portugal no mapa.

A. Leitão, é realmente impressionante como um povo de aparência tão frágil, como é o vietnamita, se tenha mostrado um osso impossível de roer para franceses e americanos. Grande povo!

25 julho, 2006 11:03  

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