27 outubro 2006

Um conto popular galego

Lobo ibérico (Canis lupus signatus) (Foto: Wolfsbilder)


O HOME DO BURRO E OS PORTUGUESES

Este era un señor de Córneas que tiña un burro solamente, e marchóuse con el polo mundo pra facer fortuna. Foi a Portugal, donde non conocían os burros. Preguntáronlle pra qué era aquel animal, i el díxolles que era pra cazar lobos, que había moitos por alí. Trataron de comprarllo, e déronlle por el un saco cheo de ouro.

Pra cazar os lobos, tiñan que atalo a unha estaca no monte, e deixalo alí toda a noite. Fixérono así a primeira noite, i, ao chegar unha manada de lobos, o probe do burro comenzóu a tirar, arrancóu a estaca, botóu a correr, e metéuse nunha capilla que había alí cerca. Os lobos tamén se meteron tras del, pro el, aos velos dentro, botóuse fora correndo, e, como levaba a estaca colgada, enganchóu a porta con ela e cerróuna tras de sí, deixando aos lobos pechados dentro. Cando os portugueses foron á mañá cediño ver o estropicio que fixera o burro cos lobos, encontrárono á porta da capilla e dentro unha manada de lobos que poñía medo, e dixeron:

-¡Animalín de Dios!¡Non puido matalos e pechóunos na capilla!

Á noite seguinte aseguraron ben a estaca pra que non poidera arrincala e tuvera que matar alí os lobos. ¡Meu pobriño! Como non puido escapar, chegaron os lobos e cenaron con el opíparamente. I eu, en vista de que se descubrira a pillería do corneallo, víñenme pra eiquí correndo.

CONTOS POPULARES DA PROVINCIA DE LUGO. Ed. Galaxia

(in A Páxina de Avelaíña)

Comentários: 8

Blogger Salucombo_Jr. escreveu...

Amigo muito obrigado pela ajuda. Todos os dias aprendemos um pouco, e confesso-lhe que já algum tempo me debatia com esta questão (risos).
Abraços

27 outubro, 2006 10:49  
Blogger planaltobie escreveu...

Do que gostei mais foi os portugueses darem muito ouro pelo burro. Portugal terra de oportunidades!
:)
Bom Fim de Semana (e que o Benfica ganhe).

28 outubro, 2006 00:10  
Blogger inominável escreveu...

afinal não são só as histórias dos amigos brasileiros que nos fazem passar por papalvos... ou parvos... ou saloios... ou panascas... ou...

29 outubro, 2006 21:54  
Blogger Denudado escreveu...

Amigo Salucombo_Jr., a minha resposta foi publicada no seu blog. Um abraço.


Planaltobié, eu não ligo ao futebol. Não ligo mesmo. Tanto me faz que ganhe o Benfica, como ganhe o Porto, o Sporting ou o Alguidarense de Baixo.

Enquanto o jogo decorria, eu ouvia música moçambicana na Voz da América em ondas curtas. Trata-se de um programa de música africana que eu já ouvia em Angola e é um dos meus programas favoritos. Se quiser ouvir o mesmo que eu ouvi, clique aqui. Como o programa só é transmitido aos fins-de-semana, a emissão apontada por este link não muda durante esta semana apenas.


Inominável, eu não tenho tanta certeza assim de que os galegos tenham querido tomar os portugueses por parvos nesta história. Não só não é costume deles menosprezarem os portugueses, como até nos prezam bastante.

Menosprezados, sim, têm sido os próprios galegos ao longo dos tempos. Mesmo em Lisboa isso aconteceu no passado, onde os imigrantes galegos eram tomados como pacóvios, atrasados, etc. A única virtude que lhes era reconhecida era uma grande capacidade de trabalho.

30 outubro, 2006 00:26  
Blogger inominável escreveu...

Bestial a tua resposta... sempre atento!

Mas se substituíssem, no último parágrafo, galegos por portugueses, era giro... ficava a imagem dos portugueses em França, por exemplo...

30 outubro, 2006 15:33  
Blogger Sony Hari escreveu...

Sou minhota e, talvez por isso, tenho uma simpatia especial pela Galiza. Quando chego à Galiza não tenho a sensação de ter deixado Portugal para trás.

30 outubro, 2006 23:35  
Blogger Denudado escreveu...

Com efeito, Sony Hari, as afinidades entre a Galiza e Portugal (sobretudo o Norte) são inúmeras, até do ponto de vista genético. Os estudos feitos aos genes de uns e de outros mostram que existe uma continuidade entre a Galiza e Portugal, sem qualquer espécie de fronteira. O Rio Minho não separa; une. Portugueses e galegos são um e o mesmo povo, geneticamente considerado.

01 novembro, 2006 00:14  
Anonymous Eduardo Pascal escreveu...

Diria, até, que na Galiza encontro hoje um Minho que no Minho não vejo.

22 setembro, 2009 21:40  

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