18 fevereiro 2007

Alcunhas ou apelidos

O Rio Paiva pouco antes de desembocar no Rio Douro. À esquerda da ponte, Escamarão; à direita, Castelo (Foto: A. Leitão)

Alcunhas ou apelidos são os nomes que se põem a algumas pessoas, com base num aspecto distintivo dessa pessoa ou da sua família, tal como uma particularidade física, traço da personalidade, profissão, mania, tique nervoso, etc. Em Portugal usa-se, preferencialmente, a palavra alcunha para designar este tipo de nomes, enquanto que no Brasil se utiliza a palavra apelido.

As alcunhas ou apelidos aplicam-se em todo o mundo, por pessoas das mais diversas culturas e etnias, sobretudo pelas que vivem nos meios rurais.

Em Portugal, as alcunhas são aplicadas "generosamente" por quem vive nas aldeias, sendo muitas pessoas conhecidas dos seus vizinhos pela sua alcunha e não pelo seu nome de baptismo.

Um exemplo de alcunhas aplicadas em Portugal num meio rural é dado por Inácio Nuno Pignatelli, na pág. 234 do seu livro "O Paiva, ou a Paiva... Como Também Lhe Chamam", relativamente aos habitantes de duas povoações vizinhas, situadas junto à confluência do Rio Paiva com o Rio Douro: o Lugar do Castelo, no concelho de Castelo de Paiva, distrito de Aveiro, na margem esquerda do Paiva, e o Lugar de Escamarão, no concelho de Cinfães, distrito de Viseu, na margem direita do mesmo rio. A lista de alcunhas publicada pelo autor é a seguinte:


(...) no Lugar do Castelo eles são: «O Pai Herodes», «Os Pilatos», «Os Cascatinhas», «Os Bichas», «Os Rafias», «O Rato Seco», «Os Tutas», «Os Biqueirões», «Os Moranguinhos», «O Cá-te-espero», «Os Pópós», «Os Lanas», «Os Laus», «Os Isqueiros», «Os Gordos», «Os Querruz», «Os Goelas de Pau», «Os Cantoneiros», «Os Barbinhas», «O Pintassilgo», «Os Picões», «Os Gangas», «A Badalhoca da Praia», «Os Coronéis», «Os Naipuns», «Os Zé-Gangas», «Os Fevreiros», «Os Turrões», «O Rei», «As Amélias Peneiras», «Os Cristas», «Os Piascas», «Os Rotumbas», «O Coração-Furado», «Os Botelhos», «Os Abóboras», «O Chambeque», «Os Baús», «Os Beatos», «Os Ceras» e outros.

E no Lugas de Escamarão: «Os Nada na Areia», «Os Retratistas», «Os Ministros», «Os Serôdios», «Os Reiotos», «Os Tocos», «Os Lucianos», «O Pinça Azul», «Os Vermelhos», «As Codessas», «A Catixa» e muitos mais.

Cada alcunha correspondia a uma particularidade ou característica de cada família ou de cada um. Os «Querruz», por exemplo, eram assim conhecidos por possuírem muitas rolas, os «Piascas» por serem de pouca altura, o «Alamão» por ser tão ruço e aloirado que diziam «Parece um Alamão!», os «Ministros» por serem negociantes e fazerem vida à grande, e assim por diante.
(...)


Quero apenas acrescentar que, a mim, a alcunha «Rato Seco» não parece fazer sentido. Não terá havido engano do autor na anotação da alcunha? Não será ela «Rato Cego», nome pelo qual também é conhecida a toupeira?

Comentários: 2

Blogger Sony Hari escreveu...

Muito interessante este post sobre as alcunhas! Provavelmente, já houve pessoas que nasceram e morreram sem nunca terem dado grande uso ao nome de baptismo, tal é o poder da alcunha, que vai passando de geração em geração.

19 fevereiro, 2007 19:55  
Blogger a.leitão escreveu...

Como sempre, Formação e Informação de mãos dadas, eis algo que muita falta nos faz. Bem haja Denudado pelos seus Posts.

19 fevereiro, 2007 22:06  

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