18 outubro 2010

Sinos de Minas Gerais

 Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência, em São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil, da autoria do genial escultor e arquiteto brasileiro António Francisco Lisboa, "O Aleijadinho" (ca.1730-1814)

No passado, eram os sinos das igrejas que marcavam o pulsar da vida das comunidades, tanto aldeãs como citadinas, em Portugal e no resto do mundo cristão. Os toques das Trindades (que muitos poetas do séc. XIX cantaram), de finados, de chamadas para a missa, de rebate e vários outros toques mobilizavam o povo, alegravam-no ou entristeciam-no. Não havia ninguém que não soubesse de cor os toques dos sinos das igrejas, capelas e ermidas da sua aldeia, da sua vila ou da sua cidade.

A laicização da sociedade atual, o frenesim da vida moderna, o uso generalizado de relógios e o ruído permanente do trânsito, entre outras causas, provocaram a perda da importância dos sinos na vida das pessoas. No Portugal dos nossos dias, talvez só nas aldeias do Minho e no centro histórico de Braga é que os sinos ainda desempenham um papel de alguma importância. De resto, mesmo que eles toquem, praticamente ninguém lhes liga.

No ano passado, consciente da necessidade de preservar esta forma de expressão cultural, o Instituto do Património Histórico e Cultural do Brasil declarou património imaterial nacional brasileiro os toques dos sinos das cidades históricas de Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Congonhas do Campo, Tiradentes, Serro, Diamantina, Sabará e Catas Altas, no estado de Minas Gerais. Este é um exemplo que Portugal deveria seguir.

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