17 novembro 2010

Pingas de chuva

Caem,
Gordas, sonoras,
Monótonas pingas de chuva,
- Espaçadas -
E indolentes
Vão marcando uma toada:
Ping pang - ping pang,
As pingas
De chuva do Outono pardo.
Espapaçada
A terra mole absorve
As vagas de chuva densa
Que lenta vai caindo,
Em pingas grossas, sonoras.
E ao cair,
A chuva bate o compasso
Com o som dum contrabasso…
Ping…
Pang…
Ping…
Pang…
Adolfo Casais Monteiro (1908-1972)


O Porto à chuva (Foto: Carlos Romão)

Comentários: 2

Blogger jwcl, Jorge Willian escreveu...

Mui belo este poema. Lembrei de uma canção de Alceu Valença que se referia a Fernando Pessoa: "Estava em Lisboa/ A chuva chovia? E eu não estava atoa". Creio qu era assim que dizia a canção.

17 novembro, 2010 02:50  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Caro Jorge Willian,

Obrigado pelo seu comentário muito oportuno. Há anos que eu não ouvia Alceu Valença! Houve um tempo em que ele foi bastante popular aqui em Portugal, mas depois eclipsou-se.

O belo poema a que se refere está na página oficial dele (http://www.alceuvalenca.com.br/), chama-se "Loa de Lisboa" e diz assim:

Dançando na chuva
E cantando essa loa
Na Cidade Alta
Da velha Lisboa
Lembrei o poeta
Fernando Pessoa
E a chuva chovia
Mas eu estava à toa
E a chuva chovia
Mas eu estava à toa
Que a chuva chovesse
Ou virasse garoa
Dançando na chuva
E cantando essa loa:
Chove chove chuva fria
Chove na Cidade Alta
Chove sobre a Mouraria
Chove na Cidade Baixa
Ao pé de uma praça
Chamada Alegria
Havia uma rua
Que responderia
O porquê dessa chuva
Sem filosofia,
A grande verdade
É que a chuva chovia
A grande verdade
É que a chuva nascia
Na rua Mãe d’Água

19 novembro, 2010 17:09  

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