02 fevereiro 2011

O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch


O holandês Hieronymus Bosch (c.1450-1516), de seu nome verdadeiro Jeroen van Aeken, foi um dos mais extraordinários pintores de toda a história da arte europeia, não só por causa da sua revolucionária técnica de pintar (criando figuras com contornos bem marcados e não com a suavidade característica da pintura flamenga sua contemporânea), mas também por causa dos temas fantásticos que abordou em alguns dos seus trípticos. Não falta quem veja nestes temas fantásticos um reflexo da mentalidade mágica e supersticiosa do homem medieval, que seria a mentalidade do próprio Hieronymus Bosch. Assim, ele teria dado rédea solta à sua imaginação para retratar os terrores, delírios e pesadelos que assolavam o espírito dos europeus da sua época.

Seja como for, Hieronymus Bosch pode ter sido um homem do seu tempo, possuindo a mentalidade correspondente, mas a verdade é que, como artista, ele foi um revolucionário, um extraordinário precursor da pintura surrealista, que só viu a luz do dia quase 500 anos depois dele! É certo que o fantástico já fazia parte integrante da arte maneirista, que surgiu algumas décadas depois da sua morte, mas o fantástico maneirista não era nada, em comparação com o que a prodigiosa imaginação de Bosch materializou. Foi mesmo preciso esperar pelo séc. XX para que se visse surgir uma arte equivalente à sua no delírio, que foi a arte do Surrealismo.

Há em Portugal uma obra de Bosch que é a todos os títulos notável. É o tríptico As Tentações de Santo Antão, que faz parte do fabuloso espólio do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Não posso deixar de recomendar uma urgente visita a este museu, quanto mais não seja para admirar esta obra-prima de Hieronymus Bosch. Mas aqui reproduzo um outro tríptico, que de maneira nenhuma é inferior às Tentações... Está em Madrid, no Museu do Prado, e chama-se O Jardim das Delícias Terrenas.

No painel da esquerda deste tríptico, Bosch dá-nos uma sua visão do Paraíso. No da direita, retrata-nos o Inferno. No painel central ele representa o Jardim das Delícias propriamente dito, um lugar onde as pessoas se entregam alegremente ao prazer, sem complexos nem inibições. Uma das interpretações que este tríptico permite fazer é a de que, rompendo-se com a inocência do Paraíso (à esquerda), é através do pecado e da luxúria (ao centro) que se vai parar ao Inferno (à direita).

Peço-lhe que clique em cima da imagem para poder ver convenientemente o tríptico O Jardim das Delícias Terrenas, que Hieronymus Bosch pintou em 1504.

Comentários: 4

Blogger jwcl, Jorge Willian escreveu...

Realmente a abra de Bosch apresentada por você é maravilhosa. Achei interessante, entre outras coisas, a riqueza de detalhes, de informações.

02 fevereiro, 2011 04:01  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

A obra é maravilhosa e riquíssima de simbolismo, sem dúvida, caro Jorge Willian. Por mais tempo que fiquemos a olhar para ela, não deixamos de descobrir sempre mais detalhes e mais símbolos, cujo significado nós poderemos não entender, mas os contemporâneos de Bosch entendiam com certeza.

03 fevereiro, 2011 10:15  
Blogger Rafaelli Splitter escreveu...

gostei muito da sua matéria estava pesquisando sobre as obras de bosch para a escola e a vi essa é uma pintura muito simbólica né ? a maior parte dela eu ñ entendi ,mas admirei :)
espero q pesquisando direito intenda mais essa obra muito bem feita e muito detalhada !! :)

27 setembro, 2012 22:59  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Cara Rafaelli Splitter,
Muito obrigado pela sua visita e votos de muitos êxitos na escola.

29 setembro, 2012 00:18  

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