16 julho 2011

Música de compositoras turcas

Painel de azulejos existente no harém do palácio imperial de Topkapı, em Istambul, Turquia (Foto: Ms. Adventures in Italy)

Há dias, ouvi num programa da Radiodifusão Austríaca, através da Internet, duas peças de música turca. Estas peças foram compostas por duas filhas de um sultão otomano, mas eram em tudo idênticas às que se tocavam na corte imperial austríaca. As autoras das peças eram filhas do sultão Murad V e chamavam-se Hatice Sultan (1870-1928) e Fehime Sultan (1875-1927).

Nada -- absolutamente nada -- nas peças tocadas, faria supor uma origem que não fosse vienense. Uma das peças era uma valsa e a outra um galope. Ambas eram tal e qual como a música palaciana que, naquela época, se praticava nos salões dourados de Hofburg e de Schönbrunn, em Viena. A locutora do programa, como austríaca que era, estava babada com tão grande semelhança. Apesar disso, a qualidade das peças era muito medíocre, muitíssimo inferior à de qualquer uma das obras compostas pela família Strauss.

O que mais me chamou a atenção nas peças apresentadas, no entanto, não foram as suas semelhanças com a música de salão vienense, mas sim o facto de elas terem sido compostas por mulheres e não por homens. É certo que não se tratava de duas mulheres quaisquer, mas sim de duas princesas, mas mesmo assim o facto é de realçar, pois na sociedade turca daquela época as mulheres estavam completamente subjugadas aos homens. Estas duas princesas, nomeadamente, estavam condenadas a passar toda a sua vida fechadas em haréns: primeiro no harém do sultão seu pai, onde nasceram, e depois no de um outro sultão, emir ou califa, com quem viessem a casar. Elas eram princesas, sim, mas eram sobretudo e apesar de tudo escravas. Escravas de luxo, mas escravas, pertencentes a senhores que colecionavam esposas e concubinas como quem coleciona selos.

Procurei informar-me mais sobre estas duas compositoras turcas, pesquisando na Internet, mas fiquei a "apanhar bonés"... Como se calcula, os meus conhecimentos de turco são completamente nulos e o tradutor do Google também deixou muitíssimo a desejar no que a esta língua diz respeito. Não encontrei nada sobre elas, mas encontrei referências a mais duas compositoras da Turquia: uma outra princesa, chamada Refia Sultan (1842-1880), e Kemani Kevser Hanım (1887-1963).

A primeira obra que pretendo dar a ouvir a quem me visita é de Refia Sultan. Trata-se de uma peça muito curta, muito bela e dotada de uma enorme delicadeza.




A seguir, proponho que se escute uma peça de Kemani Kevser Hanım, chamada Nihavend Longa, que é uma dança verdadeiramente endiabrada. Aqui ela é interpretada por uma orquestra que conjuga instrumentos orientais e ocidentais.




Finalmente, proponho que se volte a escutar a peça Nihavend Longa, de Kemani Kevser Hanım, mas desta feita interpretada pelo violinista turco Cihat Aşkın.


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