11 julho 2014

A escrita do sudoeste

A chamada Estela de Abóboda I, encontrada na Necrópole de Abóboda, Almodôvar (Foto: Ana Margarida Arruda)


No sudoeste da Península Ibérica, mormente no sul do Alentejo, no Algarve, na Estremadura Espanhola e na Andaluzia, surgiu por volta do séc. VII ou VI A.C. uma forma de escrita original, a que foi dado o nome de escrita do sudoeste, escrita tartéssica ou escrita sudlusitana. Até hoje foram encontradas 75 estelas que contêm inscrições feitas nessa escrita, cujos carateres fazem lembrar os carateres fenícios.

Apesar do intenso estudo a que a escrita do sudoeste tem sido sujeita ao longo dos anos, não foi possível ainda decifrá-la. Apenas se tem vindo a conseguir identificar os seus carateres e a forma como se relacionam entre si, tendo também sido propostas correspondências dos carateres e grupos de carateres com possíveis pronúncias.

O idioma expresso através da escrita do sudoeste,  habitualmente chamado tartéssico, permanece desconhecido. Não foi encontrada até hoje alguma estela que apresente um texto gravado na escrita do sudoeste juntamente com a respetiva tradução para uma ou mais línguas conhecidas, como aconteceu com a chamada pedra de Roseta, que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios. Nem sequer se sabe a que família linguística o idioma da escrita do sudoeste pertenceu. Há quem sugira que era uma língua indo-europeia, como o grego, e não semita, como o fenício, mas não há certeza nenhuma. O mistério continua.

O artigo sobre a escrita do sudoeste que está na Wikipedia é muito confuso e pouco ou nada esclarecedor. Mais claro é um portal que existe dedicado ao assunto, chamado Portal da Escrita do Sudoeste, que é da autoria de Francisco Napoleão. Também se pode acompanhar a evolução dos trabalhos arqueológicos, direta ou indiretamente associados às estelas da escrita do sudoeste, no blogue Projecto Estela.

(Em 21 de julho de 2015) Recebi um email de Luis Guita, a quem muito agradeço, uma chamada de atenção para um artigo por si escrito e publicado no jornal Luxemburger Wort, sobre o Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar. O artigo, cuja leitura recomendo, encontra-se no endereço http://www.wort.lu/pt/cultura/escrita-do-sudoeste-tesouros-e-misterios-milenares-que-almodovar-guarda-55a7793a0c88b46a8ce5cbe7. O site do museu está em http://www.cm-almodovar.pt/mesa/.

Comentários: 2

Blogger Leonor escreveu...

Tenho comigo, já há uns anos, uma pedra que encontrei perto de um monte alentejano (Serra de Grândola), onde durante muitos anos morou uma tia minha. Não sei se está gravada com "Escrita do sudoeste", mas lá que parece, parece. Tenho-a guardado como relíquia, ainda que a minha família não lhe ligue nenhuma e o meu marido já a destinou ao lixo, mas fui buscá-la. Como posso saber o que é? Até estou preparada para saber que ela poderá ser lixo. Mas se não fo?

16 abril, 2017 15:22  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Prezada Leonor,
Eu teria muito gosto em ajudá-la, mas não sou a pessoa mais indicada para o fazer. A melhor solução talvez seja entrar em contacto com o Museu da Escrita do Sudoeste em Almodôvar, através do endereço de email mesa@cm-almodovar.pt.

16 abril, 2017 15:54  

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