06 agosto 2015

Os sanitários públicos do Passeio Alegre, no Porto


O exterior do edifício dos sanitários públicos do Jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro, Porto. Os frisos de azulejos que o ornamentam junto ao telhado são no estilo "Arte Nova" (Foto: José Magalhães)


Os sanitários públicos são uns espaços que todos tendemos a evitar. Só os usamos quando sentimos uma necessidade imperiosa e não temos alternativa. É certo que muitos sanitários públicos já não são tão maus como antigamente, mas o seu estado continua muitas vezes a não ser o que desejávamos que fosse. Deles podemos esperar tudo: retretes entupidas, falta de papel, torneiras que não deitam água, autoclismos avariados, espelhos quebrados, etc. etc. etc. E a envolver aquilo tudo, um cheiro nauseabundo, de fezes e urina, ou (o que é quase tão mau) um cheiro pungente a creolina, que é um desinfetante frequentemente usado em tais espaços.

Mas existem uns sanitários públicos, pelo menos, que merecem que os visitemos, mesmo que não tenhamos vontade: os sanitários do Jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro, nesta cidade do Porto.


No sanitário dos homens. As paredes e o chão encontram-se decorados com belíssimos azulejos e mosaicos no mais puro estilo "Arte Nova" (Foto: Petr Adam Dohnálek)


Os sanitários públicos do Passeio Alegre foram feitos em 1910, ou seja, num tempo em que a burguesia do Porto ia a banhos à Foz do Douro, povoação que então ainda não tinha sido incluída na cidade. Como o próprio nome indica, o Passeio Alegre era um passeio público, onde os "ilustres" veraneantes iam passear ao fim da tarde ou ao princípio da noite, a fim de mostrarem uns aos outros as suas melhores toilettes e de porem em dia as últimas novidades da política e da má-língua. Ora tão "distintos" frequentadores precisavam de ter uns sanitários que estivessem à altura do seu estatuto social. Assim se fizeram uns sanitários públicos que são uma pequena maravilha e que continuam à disposição de quem quiser servir-se deles.


No sanitário das senhoras. Até dá pena sujar uma louça assim... (Foto: A. Amen)

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