17 janeiro 2016

Algumas janelas de Beja

Esta é a janela mais famosa de Beja. É a Janela de Mértola, no Convento da Conceição, através da qual Mariana Alcoforado terá visto muitas vezes o seu amado passar na rua (Foto: Museu Regional de Beja)


Janela manuelina na Rua Dr. Afonso Costa (Foto: Desporto: viajar)


Janela de rótulas na Rua do Ulmo. Sendo uma herança da presença islâmica, as janelas de rótulas permitiam às moradoras observar a rua, ao mesmo tempo que conservavam o seu recato (Foto: Paulo Gonçalves)


Janela manuelina da Casa dos Pereiras e Lacerdas, trazida da Quinta do Castelo na década de 50 do séc. XX (Foto: Paulo Gonçalves)


Janela na Torre de Menagem do Castelo (Foto: Rita Cortês de Matos)


Há cidades que me fazem sentir em casa quando as visito, seja pela sua escala humana (caso de Viana do Castelo), seja pela simpatia da sua população (caso de Viena), seja porque me sinto tratado como um habitante local, quase como um familiar (caso de Munique), seja por tudo isto ao mesmo tempo e ainda mais um "não sei o quê". A cidade de Beja está neste último caso. Quem diria que, sendo eu tripeiro, me sentiria tão bem em Beja, que é uma cidade tão diferente do Porto? A verdade é que sinto.

Beja é uma cidade antiquíssima, que dizem ter sido fundada pelos celtas há 2500 anos. Certamente ela é ainda mais antiga, a avaliar pelos vestígios pré-históricos que na cidade se têm encontrado, mas é pelo menos desde os celtas que a cidade é habitada permanentemente. De então para cá, passaram por Beja diversos povos e civilizações que, de forma pacífica ou violenta, vindos da Europa ou do Norte de África, tomaram a cidade, nela se fixaram e passaram a chamar-lhe sua. Celtas, romanos, visigodos, mouros e outros mais deixaram a sua marca em Beja. Infelizmente, muitíssimos vestígios e construções que havia em Beja desapareceram completamente, por ação da passagem do tempo ou da insensibilidade dos homens. O séc. XIX, então, foi catastrófico, tendo sido demolidas nesse tempo muitas e preciosas construções, a pretexto da modernização da cidade. Alguma coisa ficou, é certo, mas dizem que o que se perdeu tinha muito mais valor artístico e arquitetónico do que tudo o que agora em Beja está.

Não pretendo, de maneira nenhuma, fazer um roteiro do que pode ser visto em Beja. Não faltam na internet sites turísticos que o fazem com muito mais competência, do que eu alguma vez poderia fazer. Mas se uma visita eu posso neste momento recomendar, então será o Museu Regional de Beja, também chamado Museu Rainha Dona Leonor. Tanto o seu núcleo principal, no antigo Convento da Conceição, como o seu núcleo visigótico, na antiga Igreja de Santo Amaro, merecem uma visita muito cuidada. Atente-se, por exemplo, na preciosíssima tela quinhentista que representa São Vicente e que é atribuída a Vicente Gil e Manuel Vicente, Mestres do Sardoal.


São Vicente, provavelmente dos Mestres do Sardoal, Vicente Gil e Manuel Vicente (Foto: Museu Regional de Beja)

Comentários: 2

Blogger Angela Costa escreveu...

Curioso não conhecia a designação "Janelas de Rótulas" ... no sul tb deixadas pelos muçulmanos designação umas muito semelhantes de "Janelas e Portas de Reixa" que permitiam a ventilação da habitação e simultaneamente preservavam a privacidade dos seus habitantes :)
Gostei de conhecer o seu blog :)

20 março, 2016 21:33  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Muito obrigado, prezada Angela Costa. Faço o melhor que posso, dentro das minhas limitações de tempo, que por vezes são muito apertadas.

Por acaso, eu já conhecia a designação "janelas de rótulas", que é corroborada pelo dicionário online Priberam:

Grade de madeira feita de tabuinhas delgadas que se cruzam, que permite fechar uma porta ou janela, mantendo a iluminação parcial e o arejamento.

"rótula", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/r%C3%B3tula [consultado em 21-03-2016].


Da designação "janelas de reixa" é que eu já não me lembrava. No fundo tem um significado semelhante, acho eu.

Volte sempre.

21 março, 2016 02:23  

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