Co tempo o prado verde reverdece,
Co tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Co tempo pára o rio caudaloso,
Co tempo o campo pobre se enriquece.
Co tempo um louro morre, outro florece,
Co tempo um é sereno, outro invernoso,
Co tempo foge o mal duro e penoso,
Co tempo torna o bem já quando esquece.
Co tempo faz mudança a sorte avara,
Co tempo se aniquila um grande estado,
Co tempo torna a ser mais eminente.
Co tempo tudo anda e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Co tempo se não faz tempo presente.
Luís de Camões (1524–1580)



Comentários: 3
Bom primeiro dia de 2026, Fernando
Gostei de vê-lo assinalar este dia com um soneto de Camões :)
Este soneto foi publicado para assinalar o 20.º aniversário deste blog, que começou em 1 de janeiro de 2006 com um poema de Sophia. Como, ao longo destes anos todos, publiquei muito poucos poemas de Camões, o que é imperdoável, resolvi assinalar a efeméride com um soneto dele sobre a passagem do tempo, que encontrei na edição em papel da sua Obra Completa.
Parabéns pelo vigésimo aniversário!
O meu blog dos sonetos fará 18 anos no próximo dia 14, mas o dia passa sempre sem que eu me recorde dele... Se os amigos mo não lembrassem, nem do meu próprio aniversário me recordaria... :)
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