13 setembro 2018

A libração lunar


Uma demonstração da forma como a Lua se mostra à Terra ao longo do ano de 2018

É corrente afirmar-se que a Lua mostra sempre a mesma face para a Terra, enquanto a outra face se mantém sempre oculta. Atribuise este fenómeno à sincronização da translação da Lua em volta da Terra com a sua rotação em torno do seu próprio eixo. Isto é, à medida que a Lua vai orbitando em redor da Terra, ela vai rodando sobre si própria de forma síncrona, de modo a mostrar sempre a mesma face ao nosso planeta azul. O tempo que a Lua demora a girar em torno da Terra é exatamente o mesmo tempo que ela demora a rodar sobre si própria: um pouco mais de 29 dias e meio, a que se dá o nome de mês lunar.

Com todo o rigor, isto não é totalmente verdadeiro. Sê-lo-ia, se a órbita da Lua em volta da Terra fosse circular, mantendo-se a Lua sempre à mesma distância da Terra, e o eixo de rotação da Lua fosse perpendicular ao plano da sua translação.

No entanto, a órbita da Lua não é circular, e sim elíptica, e por esse facto a distância da Terra à Lua varia ao longo de um mês lunar. Varia pouco, porque a elipse da sua órbita não é muito acentuada, mas varia. Nuns dias, a Lua mostra-se ligeiramente maior, porque está mais próxima da Terra, e noutros dias mostra-se ligeiramente menor, porque está mais afastada.

Também o eixo de rotação da Lua apresenta uma certa inclinação em relação ao plano da sua translação. Não lhe é perpendicular. Nuns dias, o eixo de rotação da Lua mostra-se inclinado para a esquerda; noutros dias, mostra-se inclinado para a direita; noutros dias ainda, mostra-se na vertical.

Uma consequência destes factos é a chamada libração lunar, um movimento aparentemente oscilatório da Lua, tal como se pode ver no vídeo acima. Este movimento não é visível para nós, mas existe. Com a ajuda da fotografia e montando as imagens fotográficas de forma sequencial, é possível tornar este movimento visível.

Comentários: 3

Blogger Maria João Brito de Sousa escreveu...

Saber, sabia... mas nunca imaginei ver a Lua a dançar tão harmoniosamente.

Abraço

14 setembro, 2018 09:48  
Blogger Rogerio G. V. Pereira escreveu...

Numa das escolas da minha vida (A Nuno Gonçalves)havia um zingarelho criado pelos alunos que representava tudo isso lindamente, mesmo com um eixo (o da Lua)empenado. Fiz parte da equipa da turma que ajudou a construí-lo. Soube, mais tarde, que ainda era usado como simulador pedagógico, nas aulas de geografia... talvez hoje ainda por lá exista, no museu da escola...

(ainda não li o seu escrito. Quando o fizer, digo)

14 setembro, 2018 17:58  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Maria João Brito de Sousa, muito obrigado pelo seu comentário. Mesmo sabendo que nada disto é novidade, a verdade é que fiquei hipnotizado pelo bailado da Lua. Este encantamento é por certo o resultado do fascínio que a Lua tem vindo a exercer sobre o espírito humano ao longo de milhares e milhares de anos. Se calhar já está codificado nos nossos genes e não podemos passar sem a Lua.

Rogerio G. V. Pereira, muito obrigado pela sua visita, também. No liceu que frequentei (Alexandre Herculano), havia montes de zingarelhos desse tipo, feitos pelas gerações de estudantes anteriores à minha, que os professores usavam nas aulas como demonstração. Eu não me lembro de ter feito algum, mas acho que haveria de gostar.

16 setembro, 2018 00:45  

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