05 agosto 2010

Os Jovens do Hungo


Menina de Angola segurando um instrumento musical chamado hungo (Foto muito antiga de autor desconhecido)


Os Jovens do Hungo são um grupo musical angolano, fundado em Luanda e radicado em Portugal desde 1994, que se dedica à interpretação e divulgação da música tradicional de Angola. No vídeo que se segue, eles interpretam a canção Sembele (Alívio), numa gravação de 1995.




No vídeo seguinte, que é extraído de um programa da TPA (Televisão Pública de Angola), esqueçamos o apresentador do programa, que à força de querer ser engraçadinho faz uma figura bem triste. Não é Jay Leno quem quer. Foquemos, isso sim, a nossa atenção nos Jovens do Hungo, na sua grande música e nas suas palavras.


Comentários: 4

Blogger Phwo escreveu...

Continuo a preferir o grupo de quem estes "Jovens do Hungo" são praticamente uma imitação. Refiro-me, com todo o respeito, ao Grupo "Kituxi e seus Acompanhantes", estes sim, exímios intérpretes da música de raiz tradicional, com incidência (senão exclusividade) da cultura kimbundu.
Infelizmente estão baseados em Angola e não têm a visibilidade desses.
Mas aqui eles são muito respeitados e têm representado Angola por todo o Mundo. Victor Gama, músico angolano, tem um trabalho muito interessante no campo da música contemporânea e de fusão e tem trabalhado com ele. Ler aqui
No Youtube

Quanto a esse apresentador... Pois!.....
Mas aqui todos o acham uma super star. :-(
Um abraço

07 agosto, 2010 22:52  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Cara Phwo,

Há uns tempos encontrei por aí umas referências ao mestre Kituxi, mas como não havia nada para ouvi-lo e/ou vê-lo, nunca mais me lembrei dele. No entanto, sendo uma imitação ou não, acho que os Jovens do Hungo fazem um trabalho válido na promoção e dignificação da música tradicional angolana, sem fazerem concessões ao gosto fácil, tanto aqui em Portugal como na Europa em geral. Não foi por acaso que o maestro Miguel Graça Moura os convidou para tocarem com a Orquestra Metropolitana de Lisboa no Estádio do Restelo, perante muitos milhares de pessoas, num concerto que ficou na memória de muita gente. Julgo, também, que são os Jovens do Hungo quem costuma acompanhar instrumentalmente os Batoto Yetu de Portugal, mas não tenho a certeza.

Quanto a Victor Gama, já falei sobre ele aqui no blogue. Li muito recentemente que ele tem andado pelas Lundas a promover o seu projeto Tsikaya, que até agora quase só se limitava ao sul de Angola.

No que diz respeito a maus apresentadores de televisão, Angola não tem o exclusivo deles. Nesta "Santa Terrinha" também não faltam engraçadinhos que arrastam uma vasta legião de admiradores atrás de si...

Um abraço

08 agosto, 2010 17:25  
Blogger Phwo escreveu...

Obrigada, Fernando.

Sobre o Batoto Yetu..... É saudável o trabalho de reintegração que fazem junto de crianças e jovens em bairros problemáticos, mas, é uma fraude no que toca à origem angolana (e africana)das danças (e adereços, pinturas corporais e figurino) que impingem, a quem não sabe. Não passam de folclore no sentido depreciativo que este termo também tem. Aqui em Angola esse nome não é muito querido, pois já é conhecido o método pouco honesto do seu mentor (que nunca viveu em Angola) de 'gravar' tudo o que vê.
Desculpe-me o desabafo, pois sei que o Denudado é uma pessoa de gosto requintado e conhecedor.
Quanto ao convite do maestro Miguel G. Moura... Pois... Não me leve a mal se o meu (habitual) sarcasmo me leva a lembrar do seu (eventual) gosto por 'gentes exóticas'. E... o que saberá ele de música tradicional angolana? Talvez isso para ele não tivesse sido importante, mas sim o interesse de poder juntar a uma orquestra 'convencional' um grupo 'africano', numa acção que voltaria para ele olhares interessados por algo diferente, como aconteceu.

Um beijinho, contente por voltar à conversa consigo

09 agosto, 2010 02:45  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Cara Phwo

Eu não tenho dúvidas sobre o caráter "folclórico" dos Batoto Yetu. Não basta pintar a cara, vestir uma saia de ráfia e dar uns saltos e piruetas para se fazer dança africana. Embora os miúdos adorem fazer isso. Mas a verdade é que, se não tivesse descoberto a sua vocação nos Batoto Yetu, Telmo Moreira, por exemplo, seria hoje, talvez, um anónimo trabalhador da construção civil, em vez de ser o bailarino de extraordinárias potencialidades que é:

http://www.youtube.com/watch?v=vGDuXB9f5ic

O maestro Miguel Graça Moura sempre se interessou por outras músicas, não é o exotismo que o atrai. Para um português, o fado não é exótico, como não sáo exóticos o jazz e o rock; no entanto, ele também associou estes e outros géneros musicais à Orquestra Metropolitana de Lisboa, a orquestra sinfónica que fundou e que tornou na orquestra de referência em Portugal. (Por razões completamente alheias à música, Miguel Graça Moura foi demitido das suas funções à frente da Orquestra Metropolitana de Lisboa e de toda a estrutura a ela associada: escolas de música, academias, etc.; terá sido o gasto perdulário de dinheiro que o deitou a perder).

Um abraço

09 agosto, 2010 17:09  

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