Co tempo o prado verde reverdece,
Co tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Co tempo pára o rio caudaloso,
Co tempo o campo pobre se enriquece.
Co tempo um louro morre, outro florece,
Co tempo um é sereno, outro invernoso,
Co tempo foge o mal duro e penoso,
Co tempo torna o bem já quando esquece.
Co tempo faz mudança a sorte avara,
Co tempo se aniquila um grande estado,
Co tempo torna a ser mais eminente.
Co tempo tudo anda e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Co tempo se não faz tempo presente.
Luís de Camões (1524–1580)


