Marte desarmado por Vénus
Sem entrarmos em pormenores, podemos dizer que a Revolução Francesa foi um marco fundamental na História da Europa, porque consistiu numa transição extraordinariamente violenta de uma sociedade monárquica e absolutista, dominada pela aristocracia, para uma sociedade republicana e liberal, imposta pela burguesia. No domínio da arte, a Revolução Francesa também foi acompanhada de uma mudança de paradigma, mas não de uma revolução.
Ao longo do séc. XVII, aproximadamente, a arte na Europa tinha entrado num período chamado barroco, um período de exageros e de paixões, extraordinariamente exuberante de formas e de linhas, que desejava provocar emoções intensas.
Durante o séc. XVIII, o barroco continuou a existir, exuberante como sempre, mas evoluiu no sentido de um maior requinte, delicadeza e luminosidade, mas também no sentido de uma maior superficialidade. A este barroco final dá-se o nome de rococó. Podemos dizer, talvez, que ao rococó, nas artes plásticas, correspondeu um género musical com características galantes, palacianas e lúdicas, mas sempre requintadas em extremo.
Esgotada a fórmula rococó, surgiu na Europa uma nova corrente artística, que poderia ser a arte da Revolução Francesa, mas não foi: a arte neoclássica. O neoclassicismo procurou devolver à arte o rigor e a beleza depurada da Antiga Grécia, contra os excessos do barroco e do rococó. Porém, à arte neoclássica faltou o espírito que animou os grandes artistas da Antiguidade, resultando quase sempre em pinturas e esculturas formalmente irrepreensíveis, sem dúvida nenhuma, mas artificiais e estáticas, sem vida nem chama. Em vez de ser a arte da Revolução Francesa, o neoclassicismo acabou por ser, pelo menos até certo ponto, a arte da França Napoleónica querendo conquistar a Europa.




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