09 julho 2011

Francisco de Holanda

A Ceia do Senhor, iluminura de Francisco de Holanda, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Francisco de Holanda, nascido em Lisboa em 1517 e falecido na mesma cidade em 1585, foi uma das maiores figuras do Renascimento português. Foi um notável artista plástico, filósofo, ensaísta, arquiteto, etc. Em Itália, chegou a trabalhar com Miguel Ângelo, de quem se considerava discípulo.


O segundo dia da criação do mundo segundo Francisco de Holanda, em De Aetatibus Mundi Imagines, Biblioteca Nacional de España, Madrid, Espanha

Além de ser dotado de uma enorme sensibilidade artística, Francisco de Holanda tinha também um espírito racional e prático, como se pode atestar na sua obra intitulada Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa (o que em português moderno quer dizer, mais ou menos, "Do Ordenamento que Falta à Cidade de Lisboa"), que foi o primeiro ensaio de urbanismo publicado na Península Ibérica.


Desenho de uma ponte concebida para Sacavém, nos arredores de Lisboa, por Francisco de Holanda, em Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa

Como pintor e desenhador, Francisco de Holanda insere-se mais na escola do Maneirismo do que na do Renascimento. Isto é por demais eloquente num seu magnífico e iconoclasta desenho, que ele fez para o seu livro De Aetatibus Mundi Imagines, no qual os deuses gregos do amor, Afrodite e Eros, aparecem representados como cadáveres putrefactos. Ora uma representação assim nunca passaria, sequer, pela cabeça de um artista do Renascimento propriamente dito. Afrodite apareceria sempre como uma mulher jovem, de corpo belo e sensual, e Eros como um menino rechonchudo e cheio de vida.


Os deuses Afrodite e Eros, representados como cadáveres em decomposição, por Francisco de Holanda, em De Aetatibus Mundi Imagines, Biblioteca Nacional de España, Madrid, Espanha

Quase nada existe em Portugal da obra deixada pelo português Francisco de Holanda. Durante os 60 anos em que durou a dominação espanhola sobre Portugal, muitas preciosidades deste país foram levadas para Espanha. A maior parte dos originais de Francisco de Holanda também. É em Espanha que eles estão, não em Portugal.


Auto-retrato de Francisco de Holanda, em baixo à esquerda, na última página do livro De Aetatibus Mundi Imagines, Biblioteca Nacional de España, Madrid, Espanha

Comentários: 2

Blogger Celina Dutra escreveu...

Obrigada! Foi um belo momento de aprendizado o meu aqui.

Girassóis nos seus dias.

Bom fim de semana.

09 julho, 2011 03:33  
Blogger Fernando Ribeiro escreveu...

Os girassóis, por aqui, têm estado um bocado tristes. Tivemos um início de verão muito pouco típico, aqui na cidade do Porto. Em vez de muito sol e calor, como costuma acontecer em junho e julho, temos tido nuvens e mesmo alguma chuva.

Agora o céu ficou limpo e está tão azul que até deslumbra, o que é ótimo para os girassóis... O pior é o vento, que sopra muito forte de norte e é muito desagradável, sobretudo quando anoitece. Se isto é o aquecimento global, então prefiro o arrefecimento!

13 julho, 2011 16:16  

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