Alegremente, no autocarro
As crianças tristes passam alegres no autocarro,
cantando em altos berros e intrometendo-se com quem
A vacina é triste, as crianças são tristes,
mas passam todas, alegremente, no autocarro.
Os soldados tristes passam alegres no autocarro,
entoando as canções que cantavam nas romarias da sua
mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Os operários tristes passam alegremente no autocarro,
cantando e gesticulando com a garrafa de vinho na mão.
Vão todos para a fábrica vigiar as máquinas e carregar
mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Os camponeses tristes passam alegres no autocarro,
cantando e dando vivas ao longo do percurso.
Vão todos à cidade, de fato novo, aplaudir o discurso.
O discurso é triste, os camponeses são tristes,
mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Alegremente, no autocarro.
António Gedeão, 1965
cantando em altos berros e intrometendo-se com quem
[passa.
Vão todas ao Posto vacinar-se de graça.A vacina é triste, as crianças são tristes,
mas passam todas, alegremente, no autocarro.
Os soldados tristes passam alegres no autocarro,
entoando as canções que cantavam nas romarias da sua
[terra.
Vão para o cais do embarque tomar o paquete que os[levará para a guerra.
A guerra é triste, os soldados são tristes,mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Os operários tristes passam alegremente no autocarro,
cantando e gesticulando com a garrafa de vinho na mão.
Vão todos para a fábrica vigiar as máquinas e carregar
[num botão.
A fábrica é triste, os operários são tristes,mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Os camponeses tristes passam alegres no autocarro,
cantando e dando vivas ao longo do percurso.
Vão todos à cidade, de fato novo, aplaudir o discurso.
O discurso é triste, os camponeses são tristes,
mas passam todos, alegremente, no autocarro.
Alegremente, no autocarro.
António Gedeão, 1965
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| Um autocarro passando no tabuleiro inferior da Ponte Luis I, entre o Porto e Vila Nova de Gaia (Foto: JHM0284) |




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