A Jangada da Méduse
É muito frequente chamarem "A Jangada da Medusa" a este quadro de grandes dimensões (7 metros de largura por 5 metros de altura, aproximadamente), mas esta palavra Medusa não se refere à figura da mitologia grega decapitada por Perseu, nem ao animal marinho gelatinoso que tem este nome e que também é chamado alforreca. Ela refere-se a uma fragata da Marinha Francesa, que se chamava Méduse e cujo naufrágio provocou forte comoção em França. Para evitar confusões, não se deveria nunca traduzir para português o nome da fragata e chamar sempre ao quadro "A Jangada da Méduse".
No dia 2 de julho de 1816, uma fragata da marinha francesa, chamada Méduse, encalhou num baixio bem conhecido dos navegantes e referenciado na cartografia, o Banco de Arguim, situado a cerca de 30 milhas náuticas (perto de 60 km) da costa da atual Mauritânia. Além da respetiva tripulação, estavam a bordo da fragata por volta de 400 passageiros, mas não se sabe o seu número exato.
Desde o momento em que ficou encalhada, a embarcação foi sofrendo estragos causados pela ondulação marítima. Ainda por cima, dois dias depois do encalhe, a fragata foi atingida por uma violenta tempestade, que lhe provocou danos irreparáveis. Sentindo-se impossibilitados de permanecer no que restava da embarcação, quase todos os ocupantes abandonaram-na, com exceção de 17 marinheiros, que ficaram nos destroços.
Quatro escaleres e duas chalupas fizeram-se então ao mar, com cerca de 233 passageiros a bordo, enquanto outras 149 pessoas se amontoaram numa jangada entretanto feita e que tinha mais ou menos vinte metros de comprimento e sete metros de largura. A jangada deveria ter sido rebocada pelos escaleres e pelas chalupas, mas a forte ondulação e as correntes marítimas que se faziam sentir na zona dificultavam a manobra e tendiam a arrastar o conjunto de embarcações para o mar alto. Para que tal não pudesse acontecer, os cabos que rebocavam a jangada acabaram por ser cortados e esta ficou à deriva com todos os seus ocupantes, enquanto as restantes embarcações se dirigiram para terra.
A tragédia que então se viveu na jangada à deriva ultrapassou todos os horrores. A fome, a sede, as disputas entre náufragos (muitos dos quais acabavam por ser lançados borda fora), o desespero e, até, o canibalismo foram de tal ordem que, quando a jangada foi encontrada doze ou treze dias depois do naufrágio, só nela havia quinze sobreviventes. Destes, quatro ou cinco ainda haviam de morrer a caminho do porto de Saint-Louis, no Senegal.
Foi esta tragédia que o pintor romântico francês Théodore Géricault tentou reproduzir no seu célebre e eloquente quadro "O Naufrágio da Méduse", que está no Museu do Louvre, em Paris, e que acima se reproduz.
Resta acrescentar que, dos 17 tripulantes que foram deixados para trás, agarrados aos destroços da fragata destruída, só três foram encontrados com vida, cinquenta e dois dias depois do naufrágio.

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Comentários: 2
Desconhecia por completo. Bem interessante. Muito obrigado!
Não tem nada que agradecer. Eu mesmo aprendo muito quando preparo as minhas publicações, porque não posso induzir as pessoas em erro. Por vezes, faço descobertas surpreendentes.
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