08 fevereiro 2026

O Recreio

Na minh'Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar —
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar…

— E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…

Se a corda se parte um dia,
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada…

— Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada…

Se o indez morre, deixá-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive…

— Mudar a corda era fácil…
Tal ideia nunca tive…

Mário de Sá-Carneiro (1890–1916)


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