30 junho 2026

Implantes cerebrais


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O sistema nervoso de um ser humano é uma densíssima rede de comunicações, que tem o cérebro como origem e destino de quase todos os sinais que pelo sistema circulam. É o cérebro que quase tudo comanda e é o cérebro que quase tudo decide. O sistema nervoso existe para que o cérebro possa receber as informações de que precisa para ter conhecimento do mundo e da situação em que se encontra, as quais lhe são enviadas pelos órgãos dos sentidos, e para que o cérebro envie os sinais de comando que façam movimentar músculos e ativar ou inibir a produção de hormonas.

Os sinais que circulam pelo sistema nervoso — e que têm origem e destino no cérebro — são sinais elétricos. Para que a informação neles contida consiga chegar ao seu destino, é necessário que os canais que os sinais percorrem (os nervos) não tenham interrupções nem estejam danificados, à semelhança de um fio elétrico que, se estiver partido ou corroído, não deixa passar a corrente que faça acender uma lâmpada.

Os nervos que conduzem os sinais, de e para o tronco e os membros de uma pessoa, unem-se num feixe chamado medula espinal, que percorre o interior da coluna vertebral e, ao longo de toda a coluna, vai tendo ramificações que se dirigem para os órgãos que lhes correspondem. É condição indispensável para que os sinais atinjam o seu destino, que a medula espinal se mantenha intacta e saudável ao longo de toda a sua extensão. Uma doença grave, como pode suceder com a esclerose múltipla amiotrófia, ou uma fratura da coluna interrompem o circuito nervoso que percorre a medula e os sinais perdem-se. Em consequência, a pessoa fica sem sensibilidade e sem movimentos, desde o ponto onde se deu a lesão para baixo. Se a lesão ocorrer ao nível do pescoço, então, a pessoa fica tetraplégica.

Graças aos métodos mais modernos de imagiologia, de entre os quais se destaca a ressonância magnética, tem vindo a ser registado um significativo avanço no conhecimento do cérebro e das funções que são desempenhadas por cada uma das suas partes. Este conhecimento ainda é muito incompleto, mas aumenta a cada dia que passa e já torna possível tentar restaurar algumas das funções biológicas afetadas pela lesão.

Para tal, torna-se necessário abrir uma calote no crâneo da pessoa afetada e ligar um conjunto ordenado de elétrodos diretamente a uma zona específica do seu cérebro. Um computador recebe os sinais captados pelos elétrodos, processa-os no sentido de os "limpar" de distorções e de ruído, e aplica-os a jusante da lesão, onde os nervos os conduzem ao seu destino. Há, contudo, neste procedimento problemas graves que ainda estão por resolver. Um deles é o da rejeição dos elétrodos; o organismo deteta a presença de um objeto estranho no cérebro e o seu sistema imunitário entra em ação contra o objeto. Por outro lado, qualquer abertura no crânio de uma pessoa pode ser uma "porta" de entrada de infeções que, a ocorrerem, irão atingir diretamente o cérebro, com consequências que certamente serão fatais.

Os vídeos que se seguem mostram algumas experiências que recentemente têm sido feitas, no domínio das interfaces cérebro-computador.

Um indivíduo tetraplégico usa a sua mão esquerda para comer

Um homem com esclerose lateral amiotrófica em fase avançada utiliza o pensamento para realizar diversas tarefas

Um homem movimenta um braço robótico como se fosse o seu próprio braço. Ainda por cima, o braço robótico está longe do seu corpo

Este vídeo é desnecessariamente longo. Basta ver uma pequena parte. Ele mostra um homem paralizado a jogar num computador apenas com o pensamento

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