03 julho 2026

Miguel Ângelo Lupi


Retrato da Viscondessa de Castilho, Cândida Castilho, 1874, óleo sobre tela de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa
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Retrato de D. Pedro V, óleo sobre tela de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
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Retrato de Catraio e Mariana, também conhecido por "Os Pretos de Serpa Pinto", c. 1879, óleo sobre tela inacabado de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa
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De mãe portuguesa e pai italiano, o pintor Miguel Ângelo Lupi nasceu em Lisboa em 1826 e em Lisboa faleceu em 1883. Frequentou o curso de pintura da Academia de Belas-Artes de Lisboa, mas foi obrigado pela família a matricular-se na Escola Politécnica de Lisboa, com vista a seguir uma carreira no Estado. Trabalhou na Imprensa Nacional, passou dois anos em Angola como funcionário público e regressou a Portugal para trabalhar na Junta de Fazenda Pública e no Tribunal de Contas. Apesar de ter seguido uma carreira profissional no funcionalismo, Miguel Ângelo Lupi nunca deixou de pintar. O retrato que ele fez do rei D. Pedro V, que lhe fora encomendado pelo Tribunal de Contas e que foi muito elogiado, permitiu-lhe partir para Roma com uma bolsa de estudo. Quando regressou a Portugal, tornou-se professor de Pintura Histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa.

Miguel Ângelo Lupi foi essencialmente um pintor do Romantismo, mas também já fez algumas incursões pelo Naturalismo e pelo Simbolismo. Ele foi, sobretudo, um retratista de grande mérito.

A tela Retrato de Catraio e Mariana merece uma atenção especial. Este quadro deve ter sido pintado durante os dois anos em que Miguel Ângelo Lupi viveu em Luanda, tendo ficado incompleto, provavelmente porque o pintor entretanto regressou a Portugal. Um qualquer pintor europeu da sua época — ou mesmo de épocas posteriores — teria pintado um quadro que de certa forma evocasse o exotismo de uma África que muitos europeus viam como «misteriosa e feiticeira». Ora Miguel Ângelo Lupi não fez nada disso. Em vez de representar o pitoresco local ou de fazer um apontamento etnográfico de gentes com costumes diferentes dos seus, Lupi pintou um quadro cheio de humanidade, em que um casal cruza olhares carregados de ternura. Ao pintar esta sua tela, Miguel Ângelo Lupi comportou-se como um africano. A este quadro foi também dado o nome de "Os Pretos de Serpa Pinto", porque Catraio e Mariana tinham sido contratados pelo explorador Serpa Pinto para acompanhá-lo na sua expedição ao interior de África.

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