Kuarup — preparação dos troncos e chegada dos convidados
O kuarup (palavra de língua tupi, frequentemente grafada quarup), não é só um dos vários rituais tradicionais praticados pelos povos originários do Brasil vivendo no Parque Indígena do Xingu, no estado de Mato Grosso. É o mais importante de todos. É um ritual que se realiza uma vez por ano, mais ou menos por esta época, em cada aldeia xinguana onde, durante o ano que passou, tiver morrido alguém que mereça ser homenagedo.
O kuarup consiste essencialmente em chorar os mortos, primeiro, e refazer os laços familiares e sociais entre os vivos, depois, porque a vida não pode parar. Depois de terem feito o luto pelos que morreram e que vão permanecer na saudade de cada pessoa, os índios do Xingu passam a celebrar a vida, refazendo os laços entre si. A luta huka-huka (luta tradicional em que dois contendores se enfrentam de joelhos e de mãos nuas) marca o fim do kuarup.
No vídeo que se segue, o indígena Mutua Mehinako explica melhor do que ninguém qual é a essência do kuarup. Suponho que ele é cacique (chefe tribal) do povo Mehinako e, por isso, percebe do assunto melhor do que ninguém. Perdoemos-lhe o facto de cometer alguns erros de português enquanto fala, porque a sua língua materna não é o português, mas sim um idioma da família aruak. O vídeo vem acompanhado por uma legenda gerada automaticamente que também comete erros, alguns dos quais são facilmente detetáveis e até anedóticos. Não havia necessidade...




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