11 janeiro 2026
09 janeiro 2026
Onde cairá o orvalho…
Onde cairá o orvalho se as pedras perderam dono
e história
e só as coisas torpes e destruídas
cobriram os campos e tornaram cinza o verde?
Oiço exércitos do norte do sul e do leste
fantasmas lançando o manto das trevas
os rostos exilando-se de si mesmos.
Oiço os exércitos e todo e qualquer som abafarem.
— Não ouves a chuva lá fora, a voz de uma mulher,
o choro de uma criança?
Oiço os exércitos, oiço
os exércitos.
Quero reconstruir tudo — alguém disse
e ouvimos cair as árvores.
E vimos a terra coberta de acácias
e as acácias eram sangue.
Estamos à beira de um caminho
— que caminho é este?
Inventam de novo o voo dos
pássaros.
Aqui já se ouviu o botão da rosa a desabrochar.
Maria Alexandre Dáskalos (1957–2021), poetisa angolana
07 janeiro 2026
Música de um autor pouco conhecido
05 janeiro 2026
03 janeiro 2026
The Young Person's Guide to the Orchestra
The Young Person's Guide to the Orchestra é uma peça sinfónica que Benjamin Britten (1913-1976) compôs para um filme documentário sobre os instrumentos de uma orquestra. Tomando como inspiração um tema do compositor barroco inglês Henry Purcell (1659-1695), esta obra de Britten dá-nos a conhecer diversos instrumentos que fazem parte de uma orquestra sinfónica.
A obra The Young Person's Guide to the Orchestra é constituída pelas seguintes partes:
— Orquestra completa;
— Instrumentos de sopro de madeira;
— Instrumentos de sopro de metal;
— Instrumentos de cordas;
— Instrumentos de percussão;
— Orquestra completa;
— Flautas e flautim, também chamado piccolo;
— Oboés;
— Clarinetes;
— Fagotes;
— Violinos;
— Violas de arco, também chamadas violetas;
— Violoncelos;
— Contrabaixos;
— Harpa;
— Trompas;
— Trompetes;
— Trombones e tuba;
— Tímpanos;
— Bombo e pratos;
— Pandeireta e ferrinhos, também chamados triângulo;
— Caixa e caixinha chinesa;
— Xilofone;
— Castanholas e gongo;
— Matraca;
— Instrumentos de percussão em conjunto;
— Fuga, começando pelos instrumentos de madeira, seguidos pelos de cordas, depois pelos de metal e finalmente pelos de percussão;
— Final, tocado por toda a orquestra.
01 janeiro 2026
Co tempo o prado verde reverdece,
Co tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Co tempo pára o rio caudaloso,
Co tempo o campo pobre se enriquece.
Co tempo um louro morre, outro florece,
Co tempo um é sereno, outro invernoso,
Co tempo foge o mal duro e penoso,
Co tempo torna o bem já quando esquece.
Co tempo faz mudança a sorte avara,
Co tempo se aniquila um grande estado,
Co tempo torna a ser mais eminente.
Co tempo tudo anda e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Co tempo se não faz tempo presente.
Luís de Camões (1524–1580)
31 dezembro 2025
Passagem de ano com swing
29 dezembro 2025
Manuel Jardim
Manuel Jardim foi um pintor português do primeiro quartel do séc. XX. Nasceu em Meãs do Campo, no concelho de Montemor-o-Velho, no ano de 1884. Entre 1903 e 1905, frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, mas não completou o curso, porque foi para Paris na companhia de Eduardo Viana e Manuel Bentes.
Em Paris, Manuel Jardim estudou na Académie Julian, uma instituição privada de ensino artístico, onde entrou em contacto com a obra de Édouard Manet e Eugène Carrière, cujas influências se podem observar nas suas pinturas.
Em 1914, Manuel Jardim regressou a Portugal, tendo fixado residência em Coimbra. Em 1919, juntamente com o arquiteto e pintor José Pacheko, o compositor Ruy Coelho e o poeta Acácio Leitão, Manuel Jardim tentou fundar uma Sociedade Portuguesa de Arte Moderna, mas sem êxito.
Em 1920, Manuel Jardim foi de novo para Paris, mas um ano depois regressou a Portugal, por ter contraído uma tuberculose pulmonar. Acabou por falecer vitimado por esta doença, em Lisboa, em 1923.
27 dezembro 2025
24 dezembro 2025
21 dezembro 2025
Serenata de Schubert
18 dezembro 2025
14 dezembro 2025
Satin Doll
11 dezembro 2025
07 dezembro 2025
«Bom Jesus, ilumina os olhos meus»
04 dezembro 2025
Passeando o cão
01 dezembro 2025
d'Assumpção
Manuel Trindade d'Assumpção foi um notável pintor abstrato português, que procurou refletir na sua obra um misticismo muito próprio, assente numa certa ideia de panteísmo. Por isso, os seus quadros não são meras representações abstratas sem significado, só porque lhe apeteceu pintá-los de uma determinada maneira. Eles representam uma busca interior por algo que o transcendia. Convém termos isto em mente quando nos defrontarmos com a sua obra, que contém muito mais do que apenas formas e cores abstratas e aparentemente sem sentido.
De ascendência transmontana, Manuel d'Assumpção nasceu em Lisboa em 1926. Aos 8 anos de idade foi viver para Portalegre, onde o seu pai, Luís d'Assumpção, possuía um estúdio de fotografia profissional. A iniciação na pintura do pequeno Manuel deu-se junto do pai, que tinha o curso superior de Belas-Artes, e do pintor modernista Miguel Barrias, que era então professor em Portalegre. No ano de 1947, Manuel d'Assumpção mudou-se para Paris, onde foi aluno de Fernand Léger.
Foi também em Paris que Manuel d'Assumpção travou conhecimento com o poeta António Maria Lisboa, com quem fez uma inabalável amizade e com quem partilhava a sua inquietação espiritual. Em 1953, porém, António Maria Lisboa morreu de tuberculose, com apenas 25 anos de idade, e Manuel d'Assumpção ficou profundamente abalado pelo acontecimento, tanto que nunca mais se recompôs. O espírito ansioso de Manuel d'Assunção acabou por mergulhar num vazio desesperado e sem saída, até que em 1969 o pintor se suicidou em Lisboa, num prédio de uma rua da Baixa Pombalina que tinha precisamente o seu nome, a Rua da Assunção.
29 novembro 2025
Una furtiva lagrima
26 novembro 2025
Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
E desde então o tempo é um ditongo
entre não haver ontem e não haver depois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Não sei se riam se choravam se gritavam
eu não sei que palavras se diziam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
E de súbito um berro. E de súbito um estrondo.
E não sei que diziam: se choravam se riam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
Às onze da manhã entre Quipedro e Nambuangongo.
E nunca mais houve ontem nem depois.
São onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Manuel Alegre, in Nambuangongo, Meu Amor
(Clicar na imagem para ampliá-la)
21 novembro 2025
Dois frescos de Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo que não existem
Em 1503, um político chamado Piero Soderini, que presidia à República de Florença, encomendou a Leonardo da Vinci e a Miguel Ângelo dois frescos, que deveriam ser pintados em paredes opostas de um salão do Palazzo Vecchio da cidade de Florença, salão este que atualmente se chama Salone del Cinquecento. Estes frescos deveriam celebrar duas batalhas, nas quais as tropas florentinas alcançaram notáveis vitórias. Leonardo da Vinci deveria pintar a batalha de Anghiari, em que as tropas de Florença venceram as de Milão, e Miguel Ângelo deveria pintar a batalha de Cascina, em que as tropas florentinas venceram as de Pisa. Aqueles eram tempos em que as cidades-estado italianas viviam em quase permanente confrontação, o que não impedia que nelas se registasse um extraordinário desenvolvimento das artes e das ciências, que ficou para a História com o nome de Renascimento.
A abordagem que Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo fizeram ao tema das batalhas não podia ser mais contrastante. Enquanto Leonardo decidiu pintar uma batalha feroz e tumultuosa, carregada de uma violência extrema, Miguel Ângelo concebeu uma cena que seria quase bucólica, se não fosse o sobressalto retratado, em que os florentinos tomavam banho no rio Arno quando foram surpreendidos pela chegada das tropas inimigas.
Deveria ter sido muito interessante ver o contraste entre os dois frescos, frente a frente numa sala, se eles tivessem visto a luz do dia. Mas isso não aconteceu, porque nem Leonardo da Vinci nem Miguel Ângelo completaram a sua tarefa. Deixaram, porém, ilustrações do que pretendiam realizar, ilustrações estas que foram copiadas por admiradores seus. É graças a tais cópias que hoje podemos fazer uma ideia do que os dois génios renascentistas tencionavam pintar.
Sem entrar em pormenores sobre as razões que levaram Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo a abandonar os seus trabalhos, diga-se que, na década de 1560, o pintor Giorgio Vasari foi por sua vez encarregado da pintura e decoração do referido Salone del Cinquecento, tarefa que ele executou até ao fim e cujo resultado se pode admirar nos dias de hoje; todo o salão (paredes e teto) está agora coberto por magníficos frescos de Vasari.
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