Mily Possoz
Filha de pai e mãe belgas, Mily Possoz foi uma pintora, gravadora e ilustradora nascida nas Caldas da Rainha em 1888. Foi-lhe dado o nome de Emília Possoz, mas a artista decidiu assinar a suas obras como Mily Possoz.
Quando ela era ainda pequena, os Possoz mudaram-se para Lisboa, passando a residir na Lapa, um dos bairros mais requintados da capital portuguesa. A desafogada situação económica da família, o gosto pelas artes e pela cultura por parte dos Possoz e a intensa convivência que estes tiveram com o meio intelectual e artístico de Lisboa possibilitaram o desabrochar das potenciais aptidões artísticas da jovem Mily.
Aos 16 anos de idade, Mily Possoz foi para Paris, cidade onde viveu vários anos e onde travou conhecimento com as vanguardas artísticas do seu tempo. Integrou-se no meio cosmopolita e boémio da capital francesa e tornou‑se uma mulher emancipada e dona do seu destino. Como resultado, Mily sofreu alguns dissabores quando mais tarde regressou a Portugal, porque neste país continuava a imperar uma sociedade patriarcal e conservadora, que mantinha as mulheres em situação de subalternidade.
Mily Possoz era uma pessoa muito ativa. Tanto vivia em Lisboa, como se mudava para Paris, para Sintra, para Bruxelas ou para outra localidade. Fez inúmeros trabalhos nos domínios da pintura a óleo, da aguarela, da gravura, da litografia, da xilogravura, etc. Criou quadros para dependurar na parede, capas de revistas, cenários para peças de teatro, ilustrações para livros e muito mais.
No domínio das ilustrações para livros, é de realçar o livro de leitura para a Segunda Classe do Ensino Oficial do tempo do Estado Novo, em que todas as ilustrações foram da autoria de Mily Possoz. Não nos surpreendamos com o facto. Mily Possoz não foi a única personalidade artística do Modernismo português a sentir-se confortável com a ditadura de Salazar. Mesmo assim, poucos artistas terão ido tão longe como ela foi, ao fazer uma representação eminentemente folclórica dos portugueses, posta ao serviço da ideologia ruralizante do regime político vigente. Salva-se a qualidade artística das ilustrações.






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