Morte da Virgem, 1533–34, óleo sobre madeira de um dos Mestres de Ferreirim (Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes ou Gregório Lopes), Convento de Santo António de Ferreirim, Ferreirim, Lamego
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Ferreirim é uma localidade do concelho de Lamego, situada mais ou menos entre esta cidade e Tarouca, no coração de uma região que possui uma enorme riqueza monumental e artística.
Existe em Ferreirim um antigo convento franciscano, o Convento de Santo António, que atualmente é igreja paroquial. No seu interior, encontram-se oito quadros que são da autoria de três dos maiores pintores portugueses do séc. XVI: Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes e Gregório Lopes. Os oito referidos quadros fariam parte de um antigo retábulo, que contaria com treze painéis no total, mas os restantes painéis desapareceram. Como não existem certezas sobre qual dos artistas é que pintou cada um dos quadros, eles são coletivamente considerados sob o nome de Mestres de Ferreirim.
Diana Caçadora, estátua de mármore do escultor neoclássico francês Jean-Antoine Houdon (1741–1828), que pertenceu a Catarina da Rússia e que o colecionador de arte arménio Calouste Sarkis Gulbenkian comprou ao Museu Hermitage em 1930. Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa
Blues March, um tema de jazz da autoria de Bennie Golson, por Art Blakey and the Jazz Messengers, com Lee Morgan no trompete, Bennie Golson no saxofone tenor, Bobby Timmons no piano, Jymie Merritt no contrabaixo e Art Blakey na bateria. Gravado em 1958 (apenas som)
Uma escultura de mármore representando o filósofo, historiador e escritor francês do Iluminismo Voltaire (1694–1778), como um homem envelhecido e nu. Esta curiosa estátua é da autoria do escultor francês Jean-Baptiste Pigalle (1714–1785). Museu do Louvre, Paris, França
“Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.”
“Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.”
“Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo.”
“Não estou de acordo com aquilo que dizeis, mas lutarei até ao fim para que vos seja possível dizê-lo.”
“A educação desenvolve as faculdades, mas não as cria.”
“A espécie humana é a única que sabe que tem de morrer.”
“Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu.”
“De todas as doenças do espírito humano, a fúria de dominar é a mais terrível.”
“A leitura engrandece a alma.”
“Não há nenhum exemplo, nas nossas nações modernas, de uma guerra que haja compensado com um pouco de bem o mal que fez.”
“Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los.”
“Façam o que fizerem, destruam a infâmia e amem aqueles que vos amam.”
“Quanto mais eu leio, quanto mais aprendo, mais certo estou de que não sei nada.”
“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora.”
“A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce o seu crime com pretexto de justiça.”
“O preconceito da raça é injusto e causa grande sofrimento às pessoas.”
“O maravilhoso da guerra é que cada chefe de assassinos faz abençoar as suas bandeiras e invoca solenemente Deus antes de se lançar a exterminar o seu próximo.”
Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (1694–1778)
Uma estatueta de barro (em japonês dogū), datada de 1000 A.C. – 400 A.C. e encontrada em Ōsaki, Miyagi, ilha de Honshu, Japão. Museu Nacional de Tóquio, Japão
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Dogū ("estatueta de barro" em tradução literal) é a designação dada a estatuetas moldadas em argila carcaterísticas do chamado período Jōmon, que corresponde à primeira cultura de todas as que nasceram no Japão. O período Jōmon estendeu-se no tempo desde cerca do ano 14 000 A.C. até por volta de 200 A.C.
As estatuetas chamadas dogū representam quase sempre figuras femininas, com rostos grandes de olhos muito esbugalhados, cinturas estreitas, ancas largas e mãos pequenas. Algumas apresentam ventre dilatado, sugerindo um estado de gravidez, o que leva a concluir que estas estatuetas poderiam estar associadas à fertilidade.
Uma característica comum à generalidade das estatuetas dogū é a sua exuberante ornamentação corporal, a qual seria o resultado de adornos e escarificações. No entanto, os adeptos das teorias associadas à visita do planeta Terra por parte de seres alienígenas, como Erich von Däniken, veem nas estatuetas dogū a representação de extraterrestres vestindo fatos espaciais!
Um trecho de música andalusa de Marrocos, por intérpretes não identificados. Ao ver neste vídeo um friso de lindas mouras, não posso deixar de evocar as muitas lendas existentes em Portugal de mouras encantadas, por cuja beleza os cavaleiros cristãos se perdiam de amores
Quando os Árabes invadiram a Península Ibérica, puseram-lhe o nome de Al Andalus. É provável que este nome tenha a sua origem na denominação de um dos povos germânicos que invadiram o Império Romano do Ocidente e provocaram a sua queda, os famosos Vândalos, que, após terem sido derrotados pelos Suevos, se fixaram no sul da Península, atualmente chamado Andaluzia (com Z). Do sul da Península Ibérica, os Vândalos passaram-se para o Norte de África, onde fundaram um reino, o Reino dos Vândalos, que os Árabes posteriormente conquistaram. O nome Al Andalus, portanto, deve significar algo como "Terra dos Vândalos".
Independentemente do seu significado, o nome Al Andalus passou a ser usado para designar a parte da Península Ibérica que esteve sob domínio islâmico, qualquer que tenha sido a sua configuração política ao longo do tempo: o Califado de Córdova, os reinos independentes chamados "taifas", o Império Almorávida, o Império Almóada, o Reino de Granada, etc. Com conquistas e reconquistas e com avanços e recuos, os reinos cristãos foram progressivamente tomando território aos muçulmanos e, consequentemente, o nome Al Andalus foi designando uma parte cada vez mais restrita da Península Ibérica. Em 1492, Castela conquistou por fim o Reino de Granada e a designação Al Andalus caiu em desuso. Agora, só se encontra este nome em textos de História.
A seguir à conquista de Granada por Castela, os muçulmanos do reino conquistado, que não quiseram ser obrigados a trocar a sua fé pela fé cristã, tiveram que fugir e refugiar-se no Norte de África. Os seus descedendentes continuam, ainda hoje, a chamar-se andaluses e constituem uma comunidade que é muito respeitada em Marrocos. São considerados os únicos marroquinos de raça branca, porque provieram da Europa (os restantes dizem-se africanos de ascendência berbere, e não brancos), falam árabe puro e não dialeto magrebino, conservam a cultura que os seus antepassados trouxeram da Península Ibérica e os homens andaluses são facilmente identificados na rua pela indumentária branca que tradicionalmente vestem.
Agora surge a dúvida: a música que no tempo dos mouros se praticava em Silves, Beja, Lisboa e até em Coimbra, ou mesmo em Lamego, teria alguma semelhança com a música do vídeo? É que já se passaram muitos séculos! Seja como for, o vídeo dá-nos a ouvir música andalusa, tal como ela atualmente se canta e toca, e que é um dos vários géneros existentes de música clássica árabe.
Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de fé, das perseguições religiosas da Inquisição e do fundamentalismo islâmico, o Mediterrâneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das ameaças dos Profetas: na barca da morte até à outra vida, como acreditavam os egípcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebração de cada coisa: a caça, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e não o terror da morte.
Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisição, antes dos massacres da Argélia, o Mediterrâneo ergueu uma civilização fundada na celebração da vida, na beleza de todas as coisas e na tolerância dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto é nosso e pertence-nos — por uma única, breve e intensa passagem. É a isso que chamamos liberdade — a grande herança do mundo do Mediterrâneo.
(…) [Q]uem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
”
Miguel Sousa Tavares, escritor, jornalista e comentador político
Primeiro e único
Verdadeiro
Maio acordado
Maio maduro
Penoso
Duro
Nunca vergado.
Floresta de braços e abraços
Festa dor do Maio primeiro
Carne e alma
Seio fecundo
Onde corre o leite
que alimenta o mundo.
Ir e voltar
Voltar a ir e a vir
Entre a dor e a alegria
Penoso caminho da vida inteira
Para prender um braço de sol
Entre a noite e o dia.
Mãos crispadas
Calejadas
Calor que os filhos aquece
Na esperança de outros sóis
Calar da fome que os adormece
Entre o antes e o depois
Da luta que não esmorece.
Maio de medos e canções
Maio de sempre
Maduro Maio
No fundo dos corações
Terra e vida
Vida dos que amam a terra
Antes morta que vencida.
Na palma da mão
Aberta e solidária
Festa da alegria
Maio dor e lágrimas
Renascido Maio
Nunca Maio da agonia.
Sol inteiro roubado
Sol do acordar de Maio
Vermelho e quente
Sol que é de todos
Maio de sol nascente.
Adão Cruz, médico, pintor e poeta
O primeiro Primeiro de Maio em liberdade na Avenida dos Aliados, cidade do Porto, ano de 1974 (Foto: Pereira de Sousa)
Sant'Iago e Hermógenes, c. 1520–25, óleo sobre madeira do Mestre da Lourinhã (séc. XVI), Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
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Cristo Envia S. João e Sant'Iago em Missão Apostólica, 1520-30, óleo sobre madeira do Mestre da Lourinhã (séc. XVI), Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
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Não há muito que se possa dizer sobre um pintor do qual nem sequer se conhece o nome. Chamam-lhe Mestre da Lourinhã, porque duas pinturas da sua autoria estão na Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã. De resto, tudo o que se possa dizer sobre ele não passa de suposições, apenas deduzidas das obras, aliás verdadeiramente notáveis, que dele se conhecem.
A pintura do Mestre da Lourinhã remete-nos para a época do Renascimento, concretamente para a primeira metade do séc. XVI. São claramente visíveis as influências flamengas na sua obra, o que não significa necessariamente que ele fosse flamengo, mas até poderia ter sido. Houve vários pintores flamengos ou de ascendência flamenga que naquela época viveram e trabalharam em Portugal, como foi o caso de Francisco Henriques ou de Frei Carlos, e o Mestre da Lourinhã também poderia ter sido um deles.
Mas também poderia ter sido português, porque houve diversos pintores portugueses que exprimiram igualmente influências flamengas, em consequência de terem passado, por exemplo, pela oficina de Francisco Henriques. Foi o que sucedeu com Grão Vasco, Gregório Lopes, Jorge Afonso e outros. Conclusão: nada se sabe ao certo sobre o chamado Mestre da Lourinhã. As suas obras falam por si.
Um cravo vermelho
cristal de vida no céu de chumbo
cada dia um mundo limpo e perfumado
graças a ti flor da minha idade.
Caminho da esperança às portas da cidade
todo o mel e todos os frutos ali à mão.
Graças a ti cravo vermelho que venceste a solidão
veio o tempo ao nosso encontro
e a manhã despertou agitando as árvores.
E a noite se fez de estrelas
que desceram aos cantos do jardim.
Um cravo vermelho e quente
mais que tudo amando a vida
em qualquer língua entendida.
O mundo tinha o sabor de uma maçã
e os olhos inacabados eram cravos vermelhos.
Não havia cárceres nem torturas
apenas o calor de uma fogueira
na praça do entusiasmo
e uma jovem mulher
dormindo um sono de criança
nos telhados da revolução.
O seu rosto era uma nuvem
dourada pelo sol e pela lua
os cabelos trigueiros uma seara
e nos lábios
a canção de Abril que encheu a rua.
Hoje…
Hoje não sei se é dor se alegria
o que sonho
quando abro ao sol as portas de Abril.
Não sei se é dor
tristeza ou alegria
aquilo que sinto neste dia
em que Abril faz tantos anos
de saudade e nostalgia.
Anos de luminoso tremor
corações ao alto
quadros verdes de sonho e raiva
de sol e chuva em celeste azul
luzindo nos olhos de uma gaivota
branca gaivota de penas mansas
voando solitária dentro de mim
à volta de um cravo vermelho
que me ficou dentro do peito.
Abro as janelas a medo
neste areal de céu escuro
contra o mundo
a idade e o cansaço
e não sei se é vida ou amargura
a estreiteza deste espaço.
Sei que um rio de negras águas
cavalga as margens do meu ser
por entre as fendas da secura
ameaçando afogar a democracia
às mãos de nova ditadura.
Antílopes macho e fêmea, séc. XIX–XX, esculturas de madeira, feitas por um ou dois artistas anónimos do povo Bamana, da região de Ségou, no sul do Mali. The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Estados Unidos da América
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Estas duas esculturas, que têm uma forma muito estilizada de antílopes macho e fêmea, estão incompletas. Elas destinavam-se a ser aplicadas a elmos ou capacetes (desaparecidos), que se colocavam na cabeça para que as esculturas fossem exibidas em jeito de cristas.
Estas esculturas evocam a figura de um herói mítico do povo Bamana, do sul do Mali, herói este que é chamado Ci Wara e é representado como meio homem e meio antílope. Segundo reza a tradição Bamana, terá sido este herói que revelou à Humanidade os segredos da terra, dos animais e das plantas, e ensinou a agricultura.
Oh, my name, it ain't nothin'
My age, it means less
The country I come from
Is called the Midwest
I's taught and brought up there
The laws to abide
And that the land that I live in
Has God on its side
Oh, the history books tell it
They tell it so well
The cavalries charged
The Indians fell
The cavalries charged
The Indians died
Ah, the country was young
With God on its side
The Spanish-American
War had its day
And the Civil War too
Was soon laid away
And the names of the heroes
I's made to memorize
With guns in their hands
And God on their side
The First World War boys
It came and it went
The reason for fightin'
I never did get
But I learned to accept it
Accept it with pride
For you don't count the dead
When God's on your side
The Second World War
Came to an end
We forgave the Germans
And then we were friends
Though they murdered six million
In the ovens they fried
The Germans now too
Have God on their side
I've learned to hate the Russians
All through my whole life
If another war comes
It's them we must fight
To hate them and fear them
To run and to hide
And accept it all bravely
With God on my side
But now we got weapons
Of chemical dust
If fire them we're forced to
Then fire them we must
One push of the button
And a shot the world wide
And ya never ask questions
When God's on your side
Through many dark hour
I been thinking about this
That Jesus Christ
Was betrayed by a kiss
But I can't think for ya
You'll have to decide
Whether Judas Iscariot
Had God on his side
So now as I'm leavin'
I'm weary as Hell
The confusion I'm feelin'
Ain't no tongue can tell
The words fill my head
And they fall to the floor
That if God's on our side
He'll stop the next war
My One And Only Love, uma canção com música de Guy Wood e letra de Robert Mellin, que acabou por fazer parte do repertório clássico do jazz, numa interpretação (apenas música) de Chick Corea no piano, Miroslav Vitous no contrabaixo e Roy Haines na bateria. Gravado em 1968
O quam gloriosum, moteto a quatro vozes do compositor espanhol Tomás Luis de Victoria (c.1548–1611), por The Monteverdi Choir, dirigido por Sir John Eliot Gardiner
Pinguins, um bailado com coreografia de Victor Hugo Pontes, sobre um excerto da fantasia musical Carnaval para orquestra de câmara, de Pedro Faria Gomes, inspirada na obra O Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saëns, pela Companhia Nacional de Bailado e a Orquestra Sinfónica Portuguesa dirigida por Cesário Costa