O Génio da França entre a Liberdade e a Morte, 1795, óleo sobre tela de Jean-Baptiste Regnault (1754–1829). Hamburger Kunsthalle, Hamburgo, Alemanha
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Já passou o dia 14 de julho, em que a França comemora a Tomada da Bastilha, mas ainda evoco essa data para recordar um dos quadros mais icónicos da Revolução Francesa. O quadro original, que tinha cerca de três metros de altura, está dado como perdido, mas resta uma sua versão em pequeno formato, que é a que aqui se reproduz.
O pintor parisiense Jean-Baptiste Regnault foi um entusiástico apoiante da Revolução Francesa e, como tal, resolveu fazer aquela que acabou por se tornar uma das mais significativas pinturas revolucionárias: O Génio da França entre a Liberdade e a Morte.
No centro da composição vê-se uma figura claramente inspirada num fresco de Rafael, que representa o deus Mercúrio e pode ser visto em Roma, na Villa Farnesina. A representação feita por Regnault simboliza o povo francês, alado, de braços abertos e com uma chama sobre a cabeça, pronto a sacrificar-se.
À esquerda, sentada num trono onde se vê uma serpente em círculo mordendo a sua própria cauda, está uma representação da República Francesa. Esta tem uma estrela sobre a cabeça e é acompanhada dos símbolos jacobinos que representam a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. À direita, encontra-se uma representação da Morte, facilmente reconhecível. Toda esta composição paira sobre a Terra (em baixo), como que significando que os valores da Revolução são universais.
Mercúrio, fresco de Rafael (1483–1520), em que Jean-Baptiste Regnault certamente se inspirou. Villa Farnesina, Roma, Itália
Taishakuten, uma deidade protetora no budismo japonês, que corresponde ao deus hindu Indra. Escultura de madeira do ano 839, de autor desconhecido. Templo Tō-ji, Quioto, Japão (Clicar na imagem para ampliá-la)
Suite Masquerade, do compositor arménio Aram Khatchaturian (1903–1978), pela Orquestra Filarmónica de Moscovo dirigida por Igor Manasherov. Esta suite foi composta para uma peça teatral homónima do escritor russo Mikhail Lermontov (1814–1841) e tem cinco andamentos: Valsa, Noturno, Mazurka, Romance e Galope
Um filme publicitário de desenhos animados, feito em Angola por Nando (Fernando Gonçalves) em 1968, para as pilhas, também fabricadas em Angola, de uma marca muito conhecida naquela época
Retrato da Viscondessa de Castilho, Cândida Castilho, 1874, óleo sobre tela de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa
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Retrato de D. Pedro V, óleo sobre tela de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
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Retrato de Catraio e Mariana, também conhecido por "Os Pretos de Serpa Pinto", c. 1879, óleo sobre tela inacabado de Miguel Ângelo Lupi (1826–1883), Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa
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De mãe portuguesa e pai italiano, o pintor Miguel Ângelo Lupi nasceu em Lisboa em 1826 e em Lisboa faleceu em 1883. Frequentou o curso de pintura da Academia de Belas-Artes de Lisboa, mas foi obrigado pela família a matricular-se na Escola Politécnica de Lisboa, com vista a seguir uma carreira no Estado. Trabalhou na Imprensa Nacional, passou dois anos em Angola como funcionário público e regressou a Portugal para trabalhar na Junta de Fazenda Pública e no Tribunal de Contas. Apesar de ter seguido uma carreira profissional no funcionalismo, Miguel Ângelo Lupi nunca deixou de pintar. O retrato que ele fez do rei D. Pedro V, que lhe fora encomendado pelo Tribunal de Contas e que foi muito elogiado, permitiu-lhe partir para Roma com uma bolsa de estudo. Quando regressou a Portugal, tornou-se professor de Pintura Histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa.
Miguel Ângelo Lupi foi essencialmente um pintor do Romantismo, mas também já fez algumas incursões pelo Naturalismo e pelo Simbolismo. Ele foi, sobretudo, um retratista de grande mérito.
A tela Retrato de Catraio e Mariana merece uma atenção especial. Este quadro deve ter sido pintado durante os dois anos em que Miguel Ângelo Lupi viveu em Luanda, tendo ficado incompleto, provavelmente porque o pintor entretanto regressou a Portugal. Um qualquer pintor europeu da sua época — ou mesmo de épocas posteriores — teria pintado um quadro que de certa forma evocasse o exotismo de uma África que muitos europeus viam como «misteriosa e feiticeira». Ora Miguel Ângelo Lupi não fez nada disso. Em vez de representar o pitoresco local ou de fazer um apontamento etnográfico de gentes com costumes diferentes dos seus, Lupi pintou um quadro cheio de humanidade, em que um casal cruza olhares carregados de ternura. Ao pintar esta sua tela, Miguel Ângelo Lupi comportou-se como um africano. A este quadro foi também dado o nome de "Os Pretos de Serpa Pinto", porque Catraio e Mariana tinham sido contratados pelo explorador Serpa Pinto para acompanhá-lo na sua expedição ao interior de África.
O sistema nervoso de um ser humano é uma densíssima rede de comunicações, que tem o cérebro como origem e destino de quase todos os sinais que pelo sistema circulam. É o cérebro que quase tudo comanda e é o cérebro que quase tudo decide. O sistema nervoso existe para que o cérebro possa receber as informações de que precisa para ter conhecimento do mundo e da situação em que se encontra, as quais lhe são enviadas pelos órgãos dos sentidos, e para que o cérebro envie os sinais de comando que façam movimentar músculos e ativar ou inibir a produção de hormonas.
Os sinais que circulam pelo sistema nervoso — e que têm origem e destino no cérebro — são sinais elétricos. Para que a informação neles contida consiga chegar ao seu destino, é necessário que os canais que os sinais percorrem (os nervos) não tenham interrupções nem estejam danificados, à semelhança de um fio elétrico que, se estiver partido ou corroído, não deixa passar a corrente que faça acender uma lâmpada.
Os nervos que conduzem os sinais, de e para o tronco e os membros de uma pessoa, unem-se num feixe chamado medula espinal, que percorre o interior da coluna vertebral e, ao longo de toda a coluna, vai tendo ramificações que se dirigem para os órgãos que lhes correspondem. É condição indispensável para que os sinais atinjam o seu destino, que a medula espinal se mantenha intacta e saudável ao longo de toda a sua extensão. Uma doença grave, como pode suceder com a esclerose múltipla amiotrófia, ou uma fratura da coluna interrompem o circuito nervoso que percorre a medula e os sinais perdem-se. Em consequência, a pessoa fica sem sensibilidade e sem movimentos, desde o ponto onde se deu a lesão para baixo. Se a lesão ocorrer ao nível do pescoço, então, a pessoa fica tetraplégica.
Graças aos métodos mais modernos de imagiologia, de entre os quais se destaca a ressonância magnética, tem vindo a ser registado um significativo avanço no conhecimento do cérebro e das funções que são desempenhadas por cada uma das suas partes. Este conhecimento ainda é muito incompleto, mas aumenta a cada dia que passa e já torna possível tentar restaurar algumas das funções biológicas afetadas pela lesão.
Para tal, torna-se necessário abrir uma calote no crâneo da pessoa afetada e ligar um conjunto ordenado de elétrodos diretamente a uma zona específica do seu cérebro. Um computador recebe os sinais captados pelos elétrodos, processa-os no sentido de os "limpar" de distorções e de ruído, e aplica-os a jusante da lesão, onde os nervos os conduzem ao seu destino. Há, contudo, neste procedimento problemas graves que ainda estão por resolver. Um deles é o da rejeição dos elétrodos; o organismo deteta a presença de um objeto estranho no cérebro e o seu sistema imunitário entra em ação contra o objeto. Por outro lado, qualquer abertura no crânio de uma pessoa pode ser uma "porta" de entrada de infeções que, a ocorrerem, irão atingir diretamente o cérebro, com consequências que certamente serão fatais.
Os vídeos que se seguem mostram algumas experiências que recentemente têm sido feitas, no domínio das interfaces cérebro-computador.
Um indivíduo tetraplégico usa a sua mão esquerda para comer
Um homem com esclerose lateral amiotrófica em fase avançada utiliza o pensamento para realizar diversas tarefas
Um homem movimenta um braço robótico como se fosse o seu próprio braço. Ainda por cima, o braço robótico está longe do seu corpo
Este vídeo é desnecessariamente longo. Basta ver uma pequena parte. Ele mostra um homem paralizado a jogar num computador apenas com o pensamento
Noite de São João no Jardim da Quinta da China, 1908, óleo sobre tela de Aurélia de Sousa (1866–1922). Coleção particular
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A pintora Aurélia de Sousa pertenceu a uma família abastada e viveu durante grande parte da sua vida na chamada Quinta da China, na cidade do Porto. Esta quinta ficava nas imediações da antiga Quinta de Nova Sintra, que é o atual Parque de Nova Sintra, onde está instalada a empresa Águas e Energia do Porto e que pode ser visitado.
No tempo de Aurélia de Sousa, a Quinta da China era um dos espaços mais requintados e privilegiados da cidade do Porto, com uma magnífica vista sobre o Rio Douro e a encosta fronteira de Gaia e possuindo belos e frondosos jardins.
Paul McCartney e a banda Wings interpretam Mull of Kintyre, uma balada nostálgica de Paul McCartney e Denny Laine, evocativa de um cabo existente no sudoeste da Escócia, chamado Mull of Kintyre, onde Paul teve uma casa
Bugios e Mourisqueiros, sétimo episódio da série televisiva Viagem ao Maravilhoso, de Carlos Brandão Lucas
Já faltam poucos dias para o solstício de verão e, logo a seguir, para o dia de S. João, que é dia de festa em inúmeras localidades portuguesas. Entre tantas localidades onde se festejs o S. João, existe uma em que este santo é celebrado de forma diferente das restantes. Esta localidade é a vila de Sobrado, no concelho de Valongo, que fica a uns escassos 15 a 20 quilómetros da cidade do Porto.
Em Sobrado, no dia 24 de junho (portanto no próprio dia de S. João e não na véspera), são revividas tradições que não costumam aparecer ligadas ao S. João e que mais facilmente associaríamos ao Carnaval, como é o caso dos caretos de Podence, ou ao solstício de inverno, como acontece com o chocalheiro de Bemposta. É a Festa da Bugiada e Mouriscada, também chamada apenas Bugiada.
No vídeo acima, podemos ver uma reportagem sobre a Bugiada e Mouriscada de Sobrado, que foi feita por Carlos Brandão Lucas para a RTP em 1990. A imagem e o som deixam muito a desejar, mas o que importa são os esclarecimentos que nos são dados pelo autor do vídeo, explicando-nos as cenas que nos vão sendo apresentandas.
Segue-se um outro vídeo que é muito mais recente, pois é de 2019, e que nos apresenta um som e uma imagem com uma qualidade incomparavelmente superior, mas não tem palavras. Em Sobrado, o S. João é assim.
Chet Baker canta Let's Get Lost, um clássico do jazz da autoria de Jimmy McHugh (música) e Frank Loesser (letra), com Chet Baker no trompete além ds voz, Russ Freeman no piano, Carson Smith no contrabaixo e Bob Neel na bateria. Gravado em 1955. Apenas som
Portugal, cerimónias do 10 de Junho entre 1961 e 1974 (Fotos de autores desconhecidos)
Enquanto os filhos dos dignitários do regime eram poupados aos horrores da Guerra Colonial, no 10 de Junho um povo utilizado como carne para canhão era condecorado em pungentes cerimónias oficiais.
Marte desarmado por Vénus, 1824, óleo sobre madeira do pintor neoclássico francês Jacques-Louis David (1748–1825), Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica, Bruxelas, Bélgica (Clicar na imagem para ampliá-la)
Sem entrarmos em pormenores, podemos dizer que a Revolução Francesa foi um marco fundamental na História da Europa, porque consistiu numa transição extraordinariamente violenta de uma sociedade monárquica e absolutista, dominada pela aristocracia, para uma sociedade republicana e liberal, imposta pela burguesia. No domínio da arte, a Revolução Francesa também foi acompanhada de uma mudança de paradigma, mas não de uma revolução.
Ao longo do séc. XVII, aproximadamente, a arte na Europa tinha entrado num período chamado barroco, um período de exageros e de paixões, exuberante de formas e de linhas, que desejava provocar emoções intensas.
Durante o séc. XVIII, o barroco continuou a existir, exuberante como sempre, mas evoluiu no sentido de maior requinte, delicadeza e luminosidade, mas também no sentido de uma maior superficialidade. A este barroco final dá-se o nome de rococó. Podemos dizer, talvez, que ao rococó, nas artes plásticas, correspondeu um género musical com características galantes, palacianas e lúdicas, mas sempre requintadas em extremo.
Esgotada a fórmula rococó, surgiu na Europa uma nova corrente artística, que poderia ser a arte da Revolução Francesa, mas não foi: a arte neoclássica. O neoclassicismo procurou devolver à arte o rigor e a beleza depurada da Antiga Grécia, contra os excessos do barroco e do rococó. Porém, à arte neoclássica faltou o espírito que animou os grandes artistas da Antiguidade, resultando quase sempre em pinturas e esculturas formalmente irrepreensíveis, sem dúvida nenhuma, mas artificiais e estáticas, sem vida nem chama. Em vez de ser a arte da Revolução Francesa, o neoclassicismo acabou por ser, pelo menos até certo ponto, a arte da França Napoleónica querendo conquistar a Europa.
Abertura da ópera La Gazza Ladra ("A Pega Ladra", isto é, a pega que rouba), do compositor italiano Gioachino Rossini (1792–1868), pela Orquestra Filarmónica de Viena sob a direção do maestro venezuelano Gustavo Dudamel
Concerto para Trompete e Orquestra em Mi Bemol Maior, do compositor austríaco Joseph Haydn (1732–1809), pelo trompetista Wynton Marsalis, acompanhado pela Boston Pops Orchestra, dirigida por John Williams. Duração aproximada de 15 minutos. Este concerto é composto por três andamentos: 1.º — Allegro (sonata); 2.º — Andante; 3.º — Allegro (rondò)
Além de ser um excelente intérprete de música clássica, o trompetista norte-americano Wynton Marsalis é também um músico de jazz de alto gabarito. Por sua vez, o maestro John Williams, também norte-americano, é igualmente compositor e foi nesta qualidade que escreveu a música para muitos filmes de George Lucas, Steven Spielberg e outros realizadores, concretamente para a Guerra das Estrelas, Encontros Imediatos, Parque Jurássico, Indiana Jones, A Lista de Schindler, Harry Potter, etc.
Morte da Virgem, 1533–34, óleo sobre madeira de um dos Mestres de Ferreirim (Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes ou Gregório Lopes), Convento de Santo António de Ferreirim, Ferreirim, Lamego
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Ferreirim é uma localidade do concelho de Lamego, situada mais ou menos entre esta cidade e Tarouca, no coração de uma região que possui uma enorme riqueza monumental e artística.
Existe em Ferreirim um antigo convento franciscano, o Convento de Santo António, que atualmente é igreja paroquial. No seu interior, encontram-se oito quadros que são da autoria de três dos maiores pintores portugueses do séc. XVI: Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes e Gregório Lopes. Os oito referidos quadros fariam parte de um antigo retábulo, que contaria com treze painéis no total, mas os restantes painéis desapareceram. Como não existem certezas sobre qual dos artistas é que pintou cada um dos quadros, eles são coletivamente considerados sob o nome de Mestres de Ferreirim.
Diana Caçadora, estátua de mármore do escultor neoclássico francês Jean-Antoine Houdon (1741–1828), que pertenceu a Catarina da Rússia e que o colecionador de arte arménio Calouste Sarkis Gulbenkian comprou ao Museu Hermitage em 1930. Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa
Blues March, um tema de jazz da autoria de Bennie Golson, por Art Blakey and the Jazz Messengers, com Lee Morgan no trompete, Bennie Golson no saxofone tenor, Bobby Timmons no piano, Jymie Merritt no contrabaixo e Art Blakey na bateria. Gravado em 1958 (apenas som)