25 agosto 2026

Ainda o eclipse do sol de 12 de agosto de 2026


Representação esquemática de uma "câmara escura"

"Câmara escura" é o nome de um fenómeno ótico natural, segundo o qual a luz que penetra numa caixa fechada, através de um orifício existente num dos lados da caixa, projeta, no interior da face oposta à do orifício, uma imagem dos objetos que estiverem no exterior, em frente ao orifício. A imagem projetada no interior da caixa é uma representação invertida da cena real que decorre cá fora: o que está em cima é projetado em baixo e inversamente, assim como o que está à esquerda é projetado à direita e vice-versa.

O fenómeno de projeção de uma imagem no interior de uma caixa através de um buraco é o princípio de funcionamento de qualquer máquina fotográfica ou de filmar, independentemente da tecnologia utilizada, seja ela química (sobre uma película coberta de iodeto de prata, sensível à luz), eletrónica (sobre uma matriz de pontos chamados píxeis), ou outra.

Até os nossos olhos utilizam este mesmo fenómeno, para nos darem o sentido da visão. Os raios de luz, provenientes de uma cena que estivermos a presenciar, passam através da pupila do olho e vão projetar uma imagem desta mesma cena na retina, situada na superfície do globo ocular oposta à pupila. Tal como nas máquinas fotográficas e de filmar, a imagem projetada na retina é, também ela, invertida. Ao serem sensibilizadas pelos raios de luz vindos do exterior, as células existentes na retina convertem a luz recebida em impulsos elétricos, que o nervo ótico seguidamente se encarrega de enviar para o cérebro. O cérebro, por fim, converte os impulsos recebidos numa imagem em posição direita, e não invertida, senão veríamos as coisas "de pernas para o ar".


Esta fotografia não é do eclipse solar de agosto de 2026. Perante a impossibilidade técnica de fotografar o referido eclipse diretamente, o que "fritaria" o sensor de imagem do meu smartphone, sirvo-me desta imagem, que encontrei na internet, para dar uma ideia muito aproximada de como era o aspeto do eclipse no momento em que fiz as fotografias mostradas mais abaixo (Foto: Solarseven/Dreamstime.com)

Quando sucede um eclipse do sol, seja ele parcial, total ou anular, o fenómeno da "câmara escura" também se manifesta em locais arborizados, mas que permitam que alguns feixes de raios solares iluminem o chão coados pela folhagem das árvores. Em cada pedacinho de solo iluminado pelos raios solares, surge uma imagem do próprio eclipse. É certo que esta é uma imagem invertida, mas é uma imagem imediatamente reconhecível. Numa mata que não for muito densa, então, veem-se tantas imagens do eclipse quantas as pequenas superfícies de chão iluminadas pelos raios solares.

Foi isto mesmo que registei fotograficamente nos caminhos e muros do Parque da Cidade, aqui no Porto, por ocasião do eclipse solar de 12 de agosto de 2026. Enquanto decorria o eclipse, viam-se milhares de imagens projetadas desse mesmo eclipse, ao lado umas das outras ou mesmo sobrepostas, como o documentam as fotografias que se seguem e que reproduzo tal como foram registadas pelo smartphone, sem lhes fazer qualquer "correção".


(Clicar nas imagens para ampliá-las)

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