23 janeiro 2026
21 janeiro 2026
«Rosas em Janeiro?!»
Esta quadro representa o chamado Milagre das Rosas, atribuído a Santa Isabel da Hungria. Não, não me enganei. O Milagre das Rosas não é atribuído apenas à Rainha Santa Isabel, que foi princesa, por ter sido filha do rei Pedro III de Aragão, e rainha de Portugal, por ter casado com o rei D. Dinis. Este milagre também é atribuído a Santa Isabel da Hungria, que foi filha do rei André II da Hungria e se casou com o príncipe Luís IV da Turíngia, na atual Alemanha. Além disso, Santa Isabel da Hungria foi tia-avó de Santa Isabel de Portugal. O facto de terem o mesmo nome e de serem aparentadas terá estado na origem da atribuição a ambas de um mesmo milagre?
O autor deste quadro foi Marcos da Cruz, pintor português nascido por volta de 1610 na cidade de Lisboa, segundo se supõe. Marcos da Cruz aprendeu a pintar com o jesuíta Simão Rodrigues, com o pintor André Reinoso e, provavelmente, com o pintor Gabriel da Silva Paz. Marcos da Cruz foi autor de numerosos quadros para a Casa de Bragança, para diversas personalidades da alta aristocracia portuguesa e para várias instituições religiosas influentes no seu tempo. Morreu em Lisboa em 1683.
19 janeiro 2026
Ária da Rainha da Noite, de Mozart
17 janeiro 2026
Soldado Conhecido
Foi o treino e o trem
Foi o porto e o barco
O desfile, o abraço
O tambor a rufar
Foi o pranto no cais
O pai nosso que fica
Sem jeito pra vida
Foi o eco do mar
Foi a marcha, o calor
Foi o peito inchado
Do homem fardado
Foi o seu funeral
Foi a arma na mão
A besta que nos berra
A força da guerra
O avião
A água que seca no nosso cantil
O lábio que greta, a febre a subir
O sangue que ferve cá dentro de nós
O corpo que treme debaixo do sol
O medo da morte, a noite a gritar
Foi aquilo que a gente não pôde falar
Foi o estado-maior
Foi a messe e o rancho
O mando, o comando
O quartel-general
Os abutres e nós
Foi aquilo que fez
O negócio da guerra
E obrigou a matar
O estilhaço, o napalm
A picada no osso
O Ambriz, o Tomboco
Foi São Salvador
Foi a carta que dói
Da mulher que nos foge
E o Puto lá longe
Tão longe de nós
A malta, a maca, o negro que cai
O cabaço da preta, o mulato sem pai
O soldado castrado no corpo e na voz
A mina que rebenta por baixo de nós
Foi o preço, é o braço artificial
É aquilo que a gente não pode calar
Foi a guerra colonial!
Paco Bandeira
15 janeiro 2026
Mesa dos Pecados Capitais, de Hieronymus Bosch (?)
A pintura a óleo acima reproduzida deve ter sido feita para servir de tampo a uma mesa. Ela é atribuída ao pintor neerlandês Hieronymus Bosch ou, no mínimo, a um seu discípulo. Os responsáveis pelo museu onde esta obra se encontra, que é o Museu do Prado, em Madrid, apontam para a assinatura do próprio Hieronymus Bosch centrada ao fundo do quadro (é pouco visível, mas está lá) e que parece ser autêntica. Mesmo assim, continua a haver quem tenha dúvidas sobre o verdadeiro autor da obra. Quem quer que este tenha sido, uma coisa parece certa: a assinatura é de Hieronymus Bosch.
A parte principal deste quadro consiste num círculo central, que representa um olho humano. No interior da pupila vê-se Cristo ressuscitado erguendo-se da sua sepultura e, por baixo, pode ler-se uma inscrição em latim dizendo "Cuidado, cuidado, o Senhor vê".
Ao longo de todo o perímetro do círculo estão representados, um a um e divididos em setores, os Sete Pecados Mortais. O pecado de cima é o da Gula, seguindo‑se-lhe, no sentido dos ponteiros do relógio, os pecados da Preguiça, Luxúria, Soberba, Ira, Inveja e Avareza.
Nos quatro cantos desta obra estão quatro círculos contendo os Novíssimos, isto é, as fases últimas da vida de um ser humano. No canto superior esquerdo está a Morte, no canto inferior direito está o Juízo Final, no canto inferior esquerdo está o Inferno e no canto superior direito o Paraíso.
Acima e abaixo do círculo central desta pintura estão duas citações em latim, extraídas do capítulo 32 do livro do Deuteronómio, do Velho Testamento. Em cima, está uma citação do versículo 28 deste capítulo, que diz "É uma nação sem juízo e sem discernimento". Em baixo, está uma citação do versículo 29, que diz "Quem dera fossem sábios e entendessem; e compreendessem qual será o seu fim!"
Mostram-se a seguir as reproduções de cada um dos Sete Pecados Mortais.
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Seguem-se as reproduções dos Quatro Novíssimos.
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11 janeiro 2026
A Night In Tunisia
09 janeiro 2026
Onde cairá o orvalho…
Onde cairá o orvalho se as pedras perderam dono
e história
e só as coisas torpes e destruídas
cobriram os campos e tornaram cinza o verde?
Oiço exércitos do norte do sul e do leste
fantasmas lançando o manto das trevas
os rostos exilando-se de si mesmos.
Oiço os exércitos e todo e qualquer som abafarem.
— Não ouves a chuva lá fora, a voz de uma mulher,
o choro de uma criança?
Oiço os exércitos, oiço
os exércitos.
Quero reconstruir tudo — alguém disse
e ouvimos cair as árvores.
E vimos a terra coberta de acácias
e as acácias eram sangue.
Estamos à beira de um caminho
— que caminho é este?
Inventam de novo o voo dos
pássaros.
Aqui já se ouviu o botão da rosa a desabrochar.
Maria Alexandre Dáskalos (1957–2021), poetisa angolana
07 janeiro 2026
Música de um autor pouco conhecido
05 janeiro 2026
03 janeiro 2026
The Young Person's Guide to the Orchestra
The Young Person's Guide to the Orchestra é uma peça sinfónica que Benjamin Britten (1913-1976) compôs para um filme documentário sobre os instrumentos de uma orquestra. Tomando como inspiração um tema do compositor barroco inglês Henry Purcell (1659-1695), esta obra de Britten dá-nos a conhecer diversos instrumentos que fazem parte de uma orquestra sinfónica.
A obra The Young Person's Guide to the Orchestra é constituída pelas seguintes partes:
— Orquestra completa;
— Instrumentos de sopro de madeira;
— Instrumentos de sopro de metal;
— Instrumentos de cordas;
— Instrumentos de percussão;
— Orquestra completa;
— Flautas e flautim, também chamado piccolo;
— Oboés;
— Clarinetes;
— Fagotes;
— Violinos;
— Violas de arco, também chamadas violetas;
— Violoncelos;
— Contrabaixos;
— Harpa;
— Trompas;
— Trompetes;
— Trombones e tuba;
— Tímpanos;
— Bombo e pratos;
— Pandeireta e ferrinhos, também chamados triângulo;
— Caixa e caixinha chinesa;
— Xilofone;
— Castanholas e gongo;
— Matraca;
— Instrumentos de percussão em conjunto;
— Fuga, começando pelos instrumentos de madeira, seguidos pelos de cordas, depois pelos de metal e finalmente pelos de percussão;
— Final, tocado por toda a orquestra.
01 janeiro 2026
Co tempo o prado verde reverdece,
Co tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Co tempo pára o rio caudaloso,
Co tempo o campo pobre se enriquece.
Co tempo um louro morre, outro florece,
Co tempo um é sereno, outro invernoso,
Co tempo foge o mal duro e penoso,
Co tempo torna o bem já quando esquece.
Co tempo faz mudança a sorte avara,
Co tempo se aniquila um grande estado,
Co tempo torna a ser mais eminente.
Co tempo tudo anda e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Co tempo se não faz tempo presente.
Luís de Camões (1524–1580)
31 dezembro 2025
Passagem de ano com swing
29 dezembro 2025
Manuel Jardim
Manuel Jardim foi um pintor português do primeiro quartel do séc. XX. Nasceu em Meãs do Campo, no concelho de Montemor-o-Velho, no ano de 1884. Entre 1903 e 1905, frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, mas não completou o curso, porque foi para Paris na companhia de Eduardo Viana e Manuel Bentes.
Em Paris, Manuel Jardim estudou na Académie Julian, uma instituição privada de ensino artístico, onde entrou em contacto com a obra de Édouard Manet e Eugène Carrière, cujas influências se podem observar nas suas pinturas.
Em 1914, Manuel Jardim regressou a Portugal, tendo fixado residência em Coimbra. Em 1919, juntamente com o arquiteto e pintor José Pacheko, o compositor Ruy Coelho e o poeta Acácio Leitão, Manuel Jardim tentou fundar uma Sociedade Portuguesa de Arte Moderna, mas sem êxito.
Em 1920, Manuel Jardim foi de novo para Paris, mas um ano depois regressou a Portugal, por ter contraído uma tuberculose pulmonar. Acabou por falecer vitimado por esta doença, em Lisboa, em 1923.


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