Zeus ou Poseidon?
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A forma de representar os deuses ditos pagãos varia extraordinariamente de cultura para cultura. Neste aspeto, a fascinante religião hindu, sobretudo, é extremamente exuberante na forma como representa os seus deuses: Brama com várias faces, Vishnu com vários braços, Ganesh com cabeça de elefante, etc. etc.
Na mitologia da Grécia antiga, muito pelo contrário, quase todos os deuses eram representados como homens e como mulheres, ainda que tivessem a capacidade de se transformar em outros seres. Por exemplo, Zeus transformou-se em águia para raptar o jovem Ganimedes e transformou-se em cisne para seduzir Leda. No entanto, na sua representação "normal", Zeus era mostrado com a forma de um homem.
Os deuses gregos não só eram mostrados com uma forma humana, mas também eram imaginados como tendo todos os defeitos e qualidades dos humanos. Eles não eram representados como seres infinitamente perfeitos, como acontece com o Deus único das religiões monoteístas. Zeus (mais uma vez), apesar de ser o mais poderoso de todos os deuses do Olimpo, era libidinoso, outros deuses eram vingativos, outros ainda invejosos, etc. Toda a gama de defeitos, de qualidades e de paixões dos humanos estava também presente nos deuses gregos. O que os distinguia dos humanos eram os seus poderes sobrenaturais e a sua imortalidade.
Como foi que os escultores gregos conseguiram representar deuses que eram humanos na forma, mas que apesar de tudo também eram divinos? Conseguiram-no, por um lado, pelo tamanho das estátuas que os representavam e que tinham dimensões superiores às de um ser humano. Por outro lado, conseguiram-no pela nudez total das suas esculturas masculinas, mas só das masculinas. As deusas, pelo contrário, quase nunca foram representadas completamente nuas. As poucas que o foram, como a Afrodite de Cnidos, foram representadas com uma mão a tentar pudicamente encobrir o sexo. A célebre Vénus de Milo também só se apresenta despida da cintura para cima.
Salvo no caso dos atletas, dos ferreiros e poucos mais, os homens da Grécia Antiga não andavam nus, ao contrário do que se possa pensar. Eles vestiam uma túnica curta no seu dia-a-dia. Já que assim era, então os deuses e os heróis gregos do sexo masculino não podiam ser representados da mesma forma, porque eles não eram homens comuns. Foram quase sempre representados em estado de total nudez, o chamado nu heroico.
O nu heroico serviu para realçar, em toda a sua plenitude, o poder, o vigor e a beleza do deus ou herói representado, mostrando-o como sendo alguém que estava acima do homem comum. Isto mesmo está expresso na admirável estátua acima reproduzida, que foi descoberta em 1926 no fundo do Mar Egeu perto do Cabo Artemísio, na ilha grega de Eubeia, e que representa um deus grego. É uma estátua de bronze, com cerca de 2,09 metros de altura, datada de 460 A.C., aproximadamente, e cujo autor se desconhece. Ela reflete, de modo incomparável, a determinação, a confiança e o vigor que só um deus ou um herói podia ter.
Mas afinal que deus é que esta estátua representa? Não se sabe. Tudo depende do que a sua mão direita se preparava para lançar, e que se perdeu. Se a sua mão direita tivesse um tridente, então a estátua representaria Poseidon, o deus dos mares. Se a sua mão direita empunhasse um raio, então a estátua seria de Zeus, o deus do raio e do trovão. A maior parte dos especialistas inclina-se para a possibilidade de esta estátua representar Zeus, mas ninguém tem a certeza de nada.
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